A exibição de um vídeo do governador reeleito da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou um desentendimento entre os vereadores Héber Tiburtino (PP), Rafael Policial (PP) e Emano Araújo (Rede), durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Patos, realizada nesta terça-feira (20).
O episódio teve início quando Héber solicitou a reprodução da gravação durante seu pronunciamento na tribuna. O conteúdo, no qual Lucas Ribeiro pede votos para Lula no segundo turno das eleições presidenciais, levou Rafael Policial a questionar a utilização do espaço legislativo para a divulgação de material com caráter eleitoral.
No vídeo apresentado por Héber, Lucas Ribeiro destaca ações do Governo Federal na Paraíba e defende a continuidade da parceria entre as administrações estadual e federal.
“E é assim, somando esforços, trabalhando juntos, que seguimos juntos fazendo a Paraíba avançar cada vez mais. Por isso, nesse domingo, dia 25, peço o seu voto para o presidente Lula 13”, declara o governador eleito.
Durante a exibição, Rafael Policial pediu a interrupção do material, argumentando que a gravação continha um pedido explícito de voto.
“Isso é pedido de voto. Isso é proibido”, afirmou o vereador, que também questionou a apresentação do conteúdo naquele espaço: “Aqui não, vereador. A pedir voto aqui não, vereador. Aqui você não pode pedir voto, não”.
Diante da intervenção, Héber reagiu e sustentou que tinha o direito de utilizar a tribuna para se manifestar. O parlamentar invocou a imunidade parlamentar e acusou o colega de tentar restringir sua fala.
“Estou no meu direito de fala na tribuna, tenho direito à minha imunidade parlamentar, e não é proibido pedir voto. Não é proibido, vereador. Não venha me censurar, vereador. Você pode censurar fora daqui, do jeito que você gosta de censurar. Agora, no meu direito de fala, nem você, nem ninguém vai censurar. Eu exijo meu direito de fala”, declarou.
Na sequência, Héber afirmou que estaria enfrentando o que classificou como um processo de “censura e intimidação sem precedentes” dentro da Câmara.
O vereador também fez acusações envolvendo integrantes da administração municipal. Segundo ele, secretários estariam se articulando contra sua atuação, enquanto assessores ligados ao vereador Maikon Minervino, líder do governo na Casa, teriam dificultado sua chegada ao Legislativo.
Héber ainda criticou a postura do líder governista em meio às articulações para a eleição da presidência da Câmara e alertou para possíveis consequências desse comportamento nos próximos dois anos.
Ao retomar a discussão, o parlamentar associou Rafael Policial e Emano Araújo ao bolsonarismo e afirmou que os dois teriam tentado intimidá-lo.
“Acabo de ser intimidado por dois bolsonaristas. Rafael da Civil e Emano. São dois bolsonaristas que vieram me intimidar”, declarou.
Héber também mencionou o superintendente da Superintendência de Trânsito e Transportes de Patos (STTrans), Ítalo Torres, que acompanhava a sessão no auditório. O vereador alegou que o gestor estaria envolvido em reuniões e articulações políticas contrárias a ele.
“Tem reuniões de secretários bolsonaristas, como o secretário da STTrans, que é bolsonarista. Que hoje ele veio aqui mais uma vez para tentar me intimidar”, afirmou.
As declarações foram feitas pelo próprio parlamentar durante a sessão. No material disponibilizado para a reportagem, não consta manifestação dos citados sobre as acusações.
Mencionado no pronunciamento, o vereador Emano Araújo, que estava fora do plenário no momento da discussão inicial, retornou ao local e pediu a palavra para apresentar sua versão dos fatos.
Ele negou ter participado de qualquer articulação para prejudicar Héber e questionou por que havia sido incluído nas acusações. Emano também defendeu sua postura no Legislativo e cobrou respeito no tratamento entre os parlamentares.
“Nunca prejudiquei nenhum vereador aqui, sempre respeitei todos os vereadores desta Casa Legislativa. [...] Quero dizer a Vossa Excelência que menino eu não sou, não. Sou homem para enfrentar qualquer um. Agora, o senhor saiba tratar as pessoas, saiba tratar os vereadores desta Casa. Porque em nenhum momento eu estava nesta Casa tramando contra o senhor, como nunca tramei contra nenhum vereador”, respondeu.
Veja o vídeo abaixo:
A discussão evidenciou o clima de divergência política entre os parlamentares e teve como ponto de partida o questionamento sobre a exibição de um vídeo com pedido de voto durante a sessão. O episódio também foi marcado por acusações mútuas envolvendo liberdade de manifestação, censura e supostas tentativas de intimidação no ambiente legislativo.
Por Patos Online
Com Contexto News