Política NOS EUA
Assessor ligado à Casa Branca confirma que providenciou avião usado por Flávio Bolsonaro, revela The New York Times
Segundo o The New York Times, Jason Miller confirmou ao Metrópoles que participou da organização da viagem; senador entrou nos Estados Unidos com autorização temporária concedida pelo governo Donald Trump.
29/10/2026 16h55
Por: Felipe Vilar Fonte: Patos Online com Metrópoles
Foto: Reprodução/CNN

Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, confirmou ao portal Metrópoles que providenciou o jato utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para viajar aos Estados Unidos na quarta-feira (28). A informação havia sido divulgada inicialmente pelo jornal norte-americano The New York Times.

De acordo com as publicações, Miller confirmou sua participação na organização da viagem que levou o senador e familiares ao território norte-americano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a entrada temporária de Flávio no país.

O senador e os familiares que o acompanhavam ingressaram nos Estados Unidos por meio do chamado parole, mecanismo que permite a entrada ou permanência temporária de estrangeiros em situações de interesse público significativo ou por razões humanitárias urgentes. O Departamento de Segurança Interna norte-americano informou ao The New York Times que todos passaram por inspeção migratória e foram liberados após o procedimento.

Segundo o jornal, uma autoridade dos Estados Unidos afirmou que Flávio deverá solicitar futuramente o green card, documento que concede residência permanente no país. O pedido poderia tramitar de forma acelerada, a exemplo do que ocorreu com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, que obteve residência permanente em julho deste ano.

Viagem ocorreu após pedido para entrega de passaportes

A viagem aconteceu em meio a investigações e medidas relacionadas aos documentos de Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira (26), a Polícia Federal (PF) solicitou que o senador entregasse seus passaportes no prazo de 24 horas.

Segundo o The New York Times, a solicitação ocorreu em meio a investigações sobre possíveis vínculos de Flávio com o advogado brasileiro Willer Tomaz, acusado de lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo jogos de azar on-line. O senador também é investigado por suspeitas relacionadas à arrecadação de recursos para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com dinheiro atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em um amplo esquema de corrupção.

Como os documentos não foram entregues até a manhã de terça-feira (27), as autoridades brasileiras teriam cancelado os passaportes e emitido um alerta migratório para impedir a saída do senador, conforme informações publicadas pelo jornal norte-americano.

A PF afirmou não ter registro oficial da saída de Flávio do Brasil e informou que apura as circunstâncias da viagem e um possível descumprimento de determinações judiciais. A corporação também ressaltou que restrições de circulação e o cancelamento de documentos não tornam automaticamente uma pessoa foragida nem justificam, por si só, uma prisão.

Trajeto passou pela Argentina e pelo Equador

Conforme informações de autoridades migratórias argentinas citadas pelo The New York Times, Flávio, a esposa e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 de terça-feira, pela Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. A polícia federal argentina, por sua vez, informou não ter registro da entrada da família.

Cerca de 40 minutos depois, o grupo teria embarcado em uma aeronave da empresa privada Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiu para Miami, onde chegou na manhã de quarta-feira (28).

Uma pessoa familiarizada com a logística da viagem afirmou ao jornal que o planejamento começou na segunda-feira, após a determinação para que o senador entregasse os passaportes.

Flávio divulgou carta após chegar a Miami

Depois de chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta na qual alegou ser alvo de perseguição política e agradeceu a Donald Trump e ao presidente argentino Javier Milei.

Na primeira versão, o senador se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas posteriormente retirou o trecho e passou a utilizar a expressão “líder do Brasil”. No documento, porém, manteve alegações de fraude eleitoral, sem apresentar provas que sustentassem as acusações.

A Casa Branca, segundo as informações divulgadas, remeteu às declarações públicas de Trump, que confirmou ter autorizado a entrada do senador nos Estados Unidos. O presidente argentino Javier Milei, por sua vez, não comentou o caso.