O vendedor ambulante patoense conhecido como Onillo, que atualmente trabalha em Santa Catarina, no Sul do Brasil, relatou nas redes sociais ter sido vítima de episódios de xenofobia e preconceito após o resultado das eleições. Em vídeos publicados na internet, ele expôs abordagens de pessoas que questionaram sua presença e seu direito de trabalhar no estado por ser nordestino.
Em um dos registros, gravado durante uma abordagem, um homem afirma que o Partido dos Trabalhadores (PT) não teria espaço em Santa Catarina e questiona por que o ambulante estaria trabalhando no local. Onillo responde que tem o direito de exercer sua atividade em qualquer parte do território brasileiro.
Durante a discussão, o homem insiste que o vendedor deveria comercializar seus produtos no Nordeste. O patoense rebate, afirmando que o Brasil pertence a todos os brasileiros e que não há impedimento para trabalhar em outros estados.
Em um pronunciamento publicado posteriormente, Onillo informou que formalizou uma denúncia no Ministério Público em relação a um primeiro episódio, ocorrido em Nova Orleans. Segundo ele, pessoas com conhecimento na área jurídica se mobilizaram para ajudá-lo, e agora aguarda um posicionamento sobre o caso.
Sobre um segundo episódio, registrado em Sombrio, também em Santa Catarina, o ambulante afirmou que recebeu contato de pessoas, inclusive integrantes da polícia, após a repercussão do vídeo. Ele disse que pretende adotar as medidas necessárias para identificar o responsável pela abordagem.
Onillo também pediu que os seguidores compartilhem os registros e afirmou que pretende denunciar situações de xenofobia e preconceito contra nordestinos, trabalhadores ambulantes ou qualquer outra pessoa.
No pronunciamento, o vendedor destacou que os nordestinos têm o mesmo direito de trabalhar em Santa Catarina que os catarinenses têm de viver, trabalhar ou visitar estados do Nordeste.
Ele também ressaltou a contribuição dos trabalhadores nordestinos para diferentes atividades econômicas da região, citando serviços nas colheitas de fumo, maçã e cebola.
“Eu vim aqui de cabeça erguida e vou sair daqui de cabeça erguida”, declarou. Onillo afirmou ainda que pretende continuar trabalhando no estado e que não vai se calar diante de situações de preconceito, mesmo que isso possa afetar suas vendas ou o número de seguidores nas redes sociais.
Ao final, o patoense reconheceu que também recebeu apoio de moradores de Santa Catarina e destacou que existem pessoas dispostas a ajudá-lo. Ele voltou a defender o respeito ao direito de circulação e trabalho em qualquer região do país.
A Constituição Federal assegura a liberdade de locomoção no território nacional, e a legislação brasileira prevê punição para práticas discriminatórias. Os episódios relatados pelo ambulante deverão ser apurados pelas autoridades competentes.