Política POLÍTICA
Sem pressa para 4º mandato, Lula adia definição de nomes para ministérios
Estratégia para o próximo governo será priorizar a fidelidade dos partidos escolhidos para compor alto escalão do Executivo federal
31/10/2026 22h30
Por: Higor Oliveira Fonte: Metrópoles
Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tem demonstrado pressa para definir a composição de seu quarto mandato. A partir desta semana, emissários do presidente começarão a conversar com partidos e lideranças políticas para discutir os novos ocupantes da Esplanada dos Ministérios.

A definição dos nomes, no entanto, deve ocorrer apenas em dezembro, segundo aliados do titular do Planalto.

A estratégia para o próximo governo será priorizar a fidelidade dos partidos escolhidos para compor o alto escalão do Executivo federal.

Como mostrou o Metrópoles, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi escolhido por Lula para conduzir as primeiras conversas com partidos do centro sobre a composição do governo no quarto mandato do petista. Os encontros devem começar na terça-feira (3/11), após o feriado de Finados.

Segundo auxiliares de Lula, a distribuição dos espaços no governo entre os partidos do Centrão deverá levar em conta o grau de compromisso de cada legenda com as pautas e os projetos do Executivo.

O critério, portanto, deverá ser mais rigoroso do que no atual mandato, quando partidos que ocupavam ministérios na Esplanada votaram, em diversas ocasiões, contra o governo no Congresso Nacional, sem que houvesse um compromisso de fidelidade firmado com o Executivo. No terceiro mandato, Lula distribuiu pastas a legendas como MDB, PSD e União Brasil, mas enfrentou derrotas em votações importantes no Legislativo.

Desta vez, a cobrança por fidelidade deverá ser maior para garantir a governabilidade de Lula, diante de um Congresso dominado pela oposição.

Além de Edinho, outros emissários e até o próprio presidente devem participar das conversas com lideranças do Centrão a partir desta semana.

Centrão apoiou Flávio

No segundo turno das eleições presidenciais, os principais partidos do Centrão declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas. Entre eles estão Republicanos, a federação União Progressista (formada por União Brasil e PP), Podemos e MDB.

Sem apoio formal dos partidos, a estratégia de Lula foi buscar por apoios individuais de lideranças políticas, como do presidente do Senado Federal Davi Alcolumbre (União-AP) e do presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB).

No caso de Motta, por exemplo, o Republicanos apoiou Flávio a nível nacional, mas o diretório estadual do partido na Paraíba divergiu da cúpula nacional e formalizou apoio a Lula.

Busca por governabilidade


Acomodação de aliados

Nos bastidores, as conversas sobre possíveis ocupantes de cargos no governo já começam a ganhar força. Nesse cenário, aparecem nomes de políticos considerados fundamentais para a reeleição de Lula, como o senador Camilo Santana(PT-CE), o governador do Piauí, Rafael Fonteles(PT), e o deputado federal André Janones (Rede-MG).

O nome de Camilo Santana, ex-ministro da Educação, ganhou força para assumir a Casa Civil no próximo mandato. O petista já era considerado um auxiliar bem-sucedido à frente do MEC e saiu fortalecido após coordenar a vitória em primeiro turno do governador Elmano de Freitas (PT), no Ceará.

No segundo turno, o ex-ministro também teve papel de destaque na coordenação política da campanha de Lula.

Já Fonteles, reeleito com larga vantagem no Piauí, é cotado para assumir o Ministério da Fazenda. Ele foi secretário estadual da Fazenda durante a gestão de Wellington Dias, mas teria de renunciar ao mandato para ocupar um cargo na Esplanada.

Durante a segunda fase do pleito, reforçou a coordenação de comunicação da campanha petista, em um momento em que Lula buscava repaginar a linguagem adotada nas redes sociais.

O governador do Piauí, porém, negou publicamente, na quinta-feira (29/10), ter conversado com o presidente Lula sobre a possibilidade de ocupar algum cargo no novo mandato do petista.

Os dois nomes são apontados como possíveis sucessores de Lula na disputa presidencial de 2030, uma vez que o petista não poderá concorrer a uma nova reeleição.

Outros nomes também são cotados para comandar o Ministério da Fazenda a partir de 2027, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alckmin é visto como um nome capaz de transmitir equilíbrio ao mercado financeiro, já que o ex-tucano é bem-quisto pelo setor.

Aliados sem mandato

A composição do novo governo também terá de acomodar aliados próximos de Lula, incluindo políticos da esquerda e da centro-esquerda que não conseguiram se eleger neste ano.

A necessidade de contemplar esses aliados reduz o espaço disponível para negociações com partidos de centro. Ao mesmo tempo, Lula precisará garantir sustentação parlamentar para aprovar projetos, medidas provisórias e propostas que exigem quórum elevado.


Nomes a serem acomodados


Além dos aliados que saíram derrotados das urnas, Lula precisará encontrar espaço para figuras próximas que decidiram não disputar as eleições para se dedicar à campanha.

É o caso dos deputados federais Guilherme Boulos (PSol-SP), atualmente à frente da Secretaria-Geral da Presidência; Alexandre Padilha (PT-SP), ministro da Saúde; e José Guimarães (PT-CE), atual ministro das Relações Institucionais.

Fonte: Metrópoles