Policial PRONUNCIAMENTO
Família de agricultor detido se pronuncia sobre caso de cadela baleada na zona rural de Taperoá
Em nota, familiares de Edivaldo Romero destacam sua condição de trabalhador rural e criador de caprinos, e afirmam que os fatos devem ser analisados sem julgamentos precipitados.
02/11/2026 11h43 Atualizada há 1 hora
Por: Felipe Vilar Fonte: Patos Online
Foto: reprodução

A família do agricultor Edivaldo Romero, detido neste domingo (1º) após uma ocorrência envolvendo uma cadela atingida por um disparo de arma de fogo no Sítio Quixaba, zona rural de Taperoá, divulgou um pronunciamento sobre o caso. Na manifestação, os familiares defendem que todas as circunstâncias sejam consideradas durante a apuração e chamam atenção para a responsabilidade dos tutores de animais em áreas rurais.

No texto, a família apresenta Edivaldo como trabalhador rural e criador de caprinos, atividade da qual, segundo a manifestação, retira parte do sustento familiar. Os parentes argumentam que a realidade dos produtores precisa ser considerada, especialmente diante dos prejuízos que ataques de cães a rebanhos podem provocar, incluindo ferimentos, mortes, abortos e situações de estresse nos animais.

Confira a nota enviada na íntegra:

É importante que a situação envolvendo Edivaldo Romero seja compreendida para além da repercussão do ocorrido. Estamos falando de um trabalhador rural, agricultor e criador de caprinos, que tira da sua criação parte do sustento de sua família. Por isso, é necessário considerar também a realidade de quem vive da terra e enfrenta diariamente as dificuldades de manter uma produção.

Existe uma questão que precisa ser discutida: a responsabilidade de quem leva seus animais para ambientes rurais. Nas cidades, é comum que os cães sejam levados para passear utilizando coleiras e guias. Mas, quando chegam à zona rural, parece que essa responsabilidade deixa de existir. Os animais são soltos como se aquele espaço não tivesse moradores, propriedades, criações e atividades produtivas.

Se alguém leva seu cachorro para passear, precisa garantir que ele esteja sob controle. A ausência de coleira e guia não é um detalhe, especialmente em locais onde existem rebanhos. Ataques de cães a caprinos e ovinos podem provocar ferimentos, mortes, abortos, estresse nos animais e prejuízos significativos aos criadores. E essa não é uma realidade desconhecida pelos produtores da nossa região, que já enfrentaram situações semelhantes.

Também precisamos lembrar que cabras e ovelhas são animais e, assim como os cães, sentem dor, medo e sofrem. A proteção animal não pode ser seletiva. Não podemos defender o bem-estar dos cães e ignorar o sofrimento dos animais de produção, muito menos desconsiderar as famílias que dependem deles para sobreviver.

Isso não significa banalizar a morte de um animal ou deixar de reconhecer a importância da proteção contra maus-tratos. Significa compreender que existem responsabilidades de todos os envolvidos e que a situação precisa ser analisada em sua totalidade, sem julgamentos precipitados.

O artigo 936 do Código Civil estabelece a responsabilidade do dono ou detentor pelos danos causados por seus animais, ressalvadas as exceções legais. Quem cria animais de estimação tem o dever de cuidar e impedir que eles causem danos a terceiros. Da mesma forma, quem trabalha no campo também tem seus direitos, e sua criação não pode ser tratada como algo sem valor.

Manifestamos nossa solidariedade a Edivaldo Romero, reconhecendo sua realidade como trabalhador e criador, e defendemos que os fatos sejam apurados com justiça, considerando todas as circunstâncias do ocorrido.

A zona rural não é terra sem lei. É território de pessoas, famílias, trabalhadores e animais. O respeito precisa alcançar todos eles. A proteção animal deve ser para todos os animais, e a responsabilidade também.

Relembre o caso

A ocorrência foi registrada na manhã de domingo (1º), no Sítio Quixaba, zona rural de Taperoá. Conforme o depoimento prestado à Central de Flagrantes de Juazeirinho, o tutor da cadela, Cristiano Marinho, relatou que passeava com o animal, uma vira-lata de aproximadamente seis anos, quando ela correu em direção a jumentos, ovelhas e bodes que estavam nas proximidades de um açude.

Segundo a testemunha, a cadela estava sem coleira ou guia e teria corrido atrás dos animais, que também se movimentaram, mas não chegou a atacá-los. Cristiano afirmou que tentou alcançá-la, mas ouviu um disparo e, em seguida, um grito do animal. Ao se aproximar, percebeu que a cadela havia sido atingida.

O tutor relatou ter visto dois homens nas proximidades, mas disse não conseguir identificá-los. Informações iniciais apontaram que o disparo teria sido efetuado com uma arma artesanal conhecida como “soca-soca”.

Após o ocorrido, a cadela foi levada para uma clínica veterinária particular em Patos, onde recebeu atendimento. O tutor destacou que o animal não reside na localidade e só frequentava o local a passeio durante suas visitas à família em Taperoá. 

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil como possível ocorrência de maus-tratos contra animal. As circunstâncias do disparo e as versões apresentadas deverão ser apuradas pelas autoridades.