A Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos, cumpriu, na manhã desta sexta-feira (4), dois mandados de prisão preventiva contra Janailson Carvalho Leite e Ryan Nóbrega Dias, investigados pela morte da pequena Ayla Evelly Felix dos Santos, de 5 anos, e tentativa de homicídio contra um adolescente de 17 anos, em outubro de 2024, no bairro Monte Castelo, em Patos. Um terceiro acusado, Ian da Silva Emiliano, também teve a prisão preventiva restabelecida, mas já se encontrava preso em Campina Grande.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Patos, após o Ministério Público da Paraíba recorrer da decisão que, em agosto deste ano, havia substituído a prisão preventiva dos acusados por medidas cautelares diversas da prisão.
De acordo com o delegado Emerson Barbosa, em entrevista ao Patos Online, duas equipes da DHE foram mobilizadas para cumprir as ordens judiciais no bairro Santa Clara, na Zona Oeste de Patos. Segundo ele, além dos mandados relacionados ao homicídio, a ação resultou em flagrante por crimes relacionados a posse ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas.
"Por volta das 08h, foram expedidos esses mandatos pela 1ª Vara aqui de Patos e, logo em seguida, colocamos duas equipes em campo e fizemos o cumprimento desses mandatos", disse.
Durante o cumprimento de um dos mandados, os policiais encontraram um revólver Taurus calibre .38, acompanhado de 12 munições intactas, além de uma pequena quantidade de entorpecente.
Conforme o delegado, o material resultou na prisão em flagrante de um dos investigados por posse irregular de arma de fogo, além da adoção de providências relacionadas à droga localizada.
Na segunda diligência, ainda segundo Emerson Barbosa, os policiais encontraram entorpecentes e uma balança de precisão nas proximidades de onde o segundo investigado estava.
No momento em que um indivíduo foi preso, ele encontrava-se com uma arma de fogo. Então, além do mandado de prisão, ele foi preso em flagrante pelo crime de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido. Além disso, foi encontrada uma pequena porção de entorpecentes, sendo lavrado contra ele um Termo Circunstanciado de Ocorrência.
Em dado cumprimento da outra equipe, o indivíduo também foi localizado e preso e, ao lado dele, na cama, estavam vários entorpecentes e uma balança de precisão. Então, além do cumprimento do mesmo mandado de prisão preventiva, ele também foi preso em flagrante pelo crime de tráfico de entorpecentes.
Confira a fala do delegado abaixo:
O material apreendido inclui:
Ian da Silva Emiliano, terceiro acusado no processo, já estava preso em Campina Grande. Conforme o delegado, o novo mandado de prisão preventiva foi encaminhado à unidade prisional para que ele fosse formalmente cientificado da decisão.
A decisão que determinou novamente a prisão preventiva foi assinada nesta quinta-feira (3), pela juiza Isabella Joseanne Assunção Lopes, da 1ª Vara Mista da Comarca de Patos, após o Ministério Público recorrer da decisão de 5 de agosto, que havia reconhecido excesso de prazo e substituído a prisão por medidas cautelares.
Os três acusados — Ian da Silva Emiliano, Janailson Carvalho Leite e Ryan Nóbrega Dias — já haviam sido pronunciados e deverão ser submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Na decisão, a magistrada considerou que a pronúncia foi confirmada pelo Tribunal de Justiça da Paraíba e entendeu que os fundamentos apresentados pelo Ministério Público justificavam o restabelecimento da prisão preventiva.
Entre os argumentos acolhidos estão a gravidade concreta dos crimes, o suposto vínculo dos acusados com a organização criminosa Okaida, o risco de reiteração delitiva e a necessidade de garantir a aplicação da lei penal.
A decisão também cita elementos periciais e investigativos que, segundo o Judiciário, apontam para a materialidade dos crimes e para indícios de autoria. A magistrada ressaltou, entretanto, que a análise definitiva sobre autoria, motivação e responsabilidade criminal caberá ao Tribunal do Júri.
Inicialmente, a sessão do Tribunal do Júri havia sido redesignada para 16 de fevereiro de 2027. Ao restabelecer as prisões preventivas, porém, a Justiça determinou também a antecipação do julgamento.
A nova sessão foi marcada para o dia 8 de outubro de 2026, às 8h30, no Plenário do Tribunal do Júri da Comarca de Patos.
A decisão determinou ainda que sejam adotadas as providências para preparação da sessão, incluindo o sorteio e a convocação dos jurados.
Enquanto o julgamento não ocorre, os três acusados permanecem submetidos à prisão preventiva por determinação judicial.
O caso ocorreu na noite de 29 de outubro de 2024, no bairro Monte Castelo, em Patos.
Segundo consta na decisão judicial, Ayla Evelly estava caminhando de mãos dadas com o adolescente, então com 17 anos, quando ambos foram atingidos por disparos de arma de fogo.
A criança foi atingida no tórax e morreu ainda no local. O adolescente também foi baleado e precisou ser submetido a atendimento médico e procedimentos cirúrgicos.
De acordo com a acusação descrita no processo, os disparos teriam ocorrido a partir de um veículo que circulava pelo bairro e estariam relacionados a uma disputa entre organizações criminosas. A decisão aponta que os três acusados teriam atuado, em tese, como integrantes do grupo criminoso mencionado nos autos.
Os acusados respondem, ainda, por crimes conexos que incluem receptação, organização criminosa e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, conforme a decisão judicial.
O processo tramita perante o Tribunal do Júri, e a decisão de pronúncia não representa condenação. Caberá aos jurados, durante o julgamento, analisar as provas e decidir pela condenação ou absolvição dos réus.
Enquanto o julgamento não ocorre, os três acusados permanecem submetidos à prisão preventiva por determinação judicial
Por Patos Online