O casal Marcos Gabriel Santos Pacheco de Alacoque e Mirelly Laila Lucena Braz, ambos de 19 anos, investigado pela morte do bebê Bryan Gabriel Guedes de Lucena, de apenas 23 dias de vida, foi transferido para unidades prisionais de João Pessoa. A criança foi morta a facadas na manhã da última quarta-feira (14), no bairro Dona Milindra, em Patos, no Sertão da Paraíba.
A informação foi confirmada ao Patos Online pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária da Paraíba (Seap-PB). Segundo o órgão, as transferências ocorreram nesta sexta-feira (16), e os dois investigados permanecem isolados por medidas de segurança.
Marcos Gabriel foi encaminhado à Penitenciária de Segurança Máxima Dr. Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1. Já Mirelly Laila foi levada à Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão.
Na tarde da quinta-feira (15), a Justiça da Paraíba converteu em preventiva as prisões em flagrante dos dois investigados, durante audiência de custódia. Na ocasião, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) solicitou a manutenção das prisões, enquanto a defesa pediu a concessão de liberdade provisória.
Após a audiência, Marcos Gabriel havia sido encaminhado ao Presídio Masculino Romero Nóbrega, e Mirelly Laila, ao Presídio Regional Feminino, ambos em Patos.
No termo da audiência, obtido pelo Patos Online, a magistrada homologou as prisões em flagrante e acolheu o pedido do Ministério Público pela conversão em preventiva.
Ao fundamentar a decisão, a juíza destacou a gravidade das circunstâncias investigadas, considerando a idade da vítima e a violência empregada.
“Recém-nascido indefeso com 23 dias de existência, no leito doméstico, com emprego de brutal violência e meio manifestamente cruel. Tais peculiaridades evidenciam reprovabilidade excepcional decorrente do próprio modus operandi”, escreveu.
A decisão também apontou a necessidade de preservar a investigação e evitar possíveis interferências na produção de provas. Conforme o documento, os dois investigados apresentaram versões contraditórias sobre a dinâmica das agressões e atribuíram um ao outro a responsabilidade pelos golpes.
Outro ponto mencionado foi o relato de uma testemunha segundo o qual Mirelly teria tentado alterar elementos da cena ao limpar as mãos ensanguentadas no corpo de Marcos Gabriel. A magistrada também considerou necessário resguardar os depoimentos de vizinhos que residem nas proximidades do local do crime.
A Justiça determinou ainda a coleta de material biológico dos investigados e a realização ou juntada de exames periciais pendentes, incluindo laudos de necropsia, do local do crime, pesquisa de sangue e perfil genético. Também foi autorizada a extração pericial de dados dos telefones celulares.
Segundo o chefe do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos, Dr. Dionísio Filho, o exame pericial identificou 24 perfurações por arma branca no corpo de Bryan Gabriel. Os ferimentos atingiram regiões como o rosto, o tórax, o abdômen e as costas. Uma das perfurações atingiu o coração e provocou uma grave hemorragia.
Em entrevista ao programa Correio Verdade, da TV Correio, o perito ressaltou a gravidade das lesões e afirmou que a criança sofreu antes de morrer.
“Um caso chocante. A equipe pericial identificou no corpo da criança 24 perfurações por arma branca. A gente pode afirmar que ele sofreu, agonizou antes da morte”, relatou.
O corpo de Bryan Gabriel foi sepultado na manhã da sexta-feira (16), no município de Malta, onde reside a avó materna da criança.
O caso segue sob investigação, e os dois pais permanecem presos preventivamente enquanto as autoridades dão continuidade aos procedimentos necessários para esclarecer as circunstâncias da morte.
Por Patos Online