
A Justiça da Paraíba converteu em prisão preventiva as prisões em flagrante de Marcos Gabriel Santos Pacheco de Alacoque e Mirelly Laila Lucena Braz, ambos de 19 anos, acusados pelo envolvimento na morte do filho, um bebê de apenas 23 dias, assassinado a facadas na quarta-feira (14), em Patos, no Sertão paraibano.
A decisão foi proferida pela juíza Vanessa Moura Pereira de Cavalcante durante audiência de custódia realizada às 15h desta quinta-feira (15). Com a medida, os dois deverão permanecer presos, à disposição da Justiça.
No termo da audiência, obtido pelo Patos Online, a magistrada homologou as prisões em flagrante e acolheu o pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB) pela conversão em preventiva. A defesa, por sua vez, havia solicitado a concessão de liberdade provisória.
Na decisão, a juíza destacou a gravidade concreta do caso, considerando a idade da vítima e a violência dos ferimentos. Conforme o documento, a criança foi atingida por golpes de faca dentro da residência da família, localizada na Rua Francisco Germano, no bairro Dona Milindra, e morreu no local.
A magistrada também ressaltou que, no momento das agressões, apenas os dois investigados estariam no imóvel com o bebê. Embora apresentem versões contraditórias sobre quem iniciou as agressões, ambos confirmaram, segundo a decisão, que a faca utilizada esteve sob o domínio e foi manuseada pelo casal durante a ocorrência.

Outro ponto considerado foi a necessidade de preservar a instrução criminal. O documento menciona o relato de uma testemunha segundo o qual Mirelly teria tentado alterar elementos da cena ao limpar as mãos ensanguentadas no corpo de Marcos Gabriel. A decisão também aponta a necessidade de resguardar os depoimentos de vizinhos que moram no mesmo beco.
"Há relato expresso da testemunha dando conta de que a autuada tentou forjar elementos probatórios, limpando propositadamente as mãos ensanguentadas no corpo de Marcos Gabriel após ele chamar a atenção para a ausência de manchas. Diante das declarações conflitantes dos investigados e da necessidade de resguardar testemunhas vizinhas residentes no mesmo beco, o encarceramento é indispensável para preservar a integridade da prova testemunhal", cita um trecho da decisão.
A juíza citou ainda o risco de fuga, considerando informações constantes nos autos sobre a ausência de vínculos duradouros dos investigados com a comarca e as mudanças de residência relatadas durante a investigação.
Quando a Polícia Militar chegou ao local, segundo o termo judicial, Mirelly estava com as mãos, o rosto e as roupas ensanguentados e gritava na rua que o companheiro havia matado o filho. Marcos Gabriel, por sua vez, estava em um beco próximo e também pedia socorro, atribuindo à mãe a autoria dos golpes.
Durante os interrogatórios, os dois apresentaram versões conflitantes sobre a dinâmica das agressões e atribuíram um ao outro a responsabilidade pelo crime. A autoria dos golpes ainda deverá ser esclarecida no decorrer da investigação.
O caso foi registrado inicialmente como suspeita de homicídio qualificado e omissão de socorro. A decisão judicial menciona o enquadramento provisório nos artigos 121, § 2º, incisos I, III e IX, e § 4º, e 135, parágrafo único, do Código Penal.
Conforme informações divulgadas anteriormente pelo chefe do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos, Dionísio Filho, o exame no corpo do bebê identificou 24 perfurações por arma branca. Uma delas atingiu o coração, provocando uma hemorragia grave.
Os ferimentos atingiram regiões como rosto, tórax, abdômen e costas. Segundo o perito, as lesões indicam que a criança sofreu antes de morrer.
Ver esse post no Instagram
Além de manter os dois suspeitos presos, a juíza autorizou a coleta de material biológico dos investigados e determinou a juntada dos laudos periciais pendentes, incluindo exames de necropsia, do local do crime, pesquisa de sangue e perfil genético.
A decisão também autorizou a extração pericial de dados dos telefones celulares, medida considerada necessária para o avanço das investigações.
Marcos Gabriel e Mirelly Laila deverão permanecer presos preventivamente enquanto o caso segue sob apuração. A investigação busca esclarecer a participação de cada um na morte do recém-nascido.
Ver esse post no Instagram
Por Patos Online
HOMEM DESAPARECIDO Família de Patos procura vendedor de 36 anos desaparecido em Maragogi, Alagoas
AFOGAMENTO EM SOUSA Dois homens da mesma família morrem afogados após mergulho no Rio Piranhas, em Sousa
VIOLÊNCIA Perícia confirma 24 facadas e perfuração no coração de bebê de 23 dias morto em Patos; “Ele sofreu, agonizou”, diz chefe do Numol
TRAGÉDIA EM CAMPINA Bebê de dois meses morre após dar entrada em hospital de Campina Grande com suspeita de engasgo
INVESTIGAÇÃO Casal preso pela morte de bebê em Patos se conheceu por meio do jogo “Free Fire” e estava separado, detalha delegado
REVOLTA Casa onde bebê foi morto a facadas é arrombada e objetos são queimados durante a madrugada em Patos
OPERAÇÃO FALSO PIX Mulher é presa suspeita de aplicar golpes com comprovantes falsos de Pix em loja de roupas em João Pessoa
TRÁFICO DE DROGAS PF e PM apreendem mais de meia tonelada de maconha e prendem homem em flagrante no Sertão da Paraíba
LENTE OCULTA Estudante de Direito é preso suspeito de fotografar mulheres sem consentimento e divulgar imagens em site pornográfico na Paraíba Mín. 23° Máx. 37°