
Em meio à megaoperação realizada no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes até esta quarta-feira (29), o educador físico, psicólogo e advogado Deusimar Guedes, especialista em Criminologia e Psicologia Criminal Investigativa e ex-agente especial da Polícia Federal, fez uma análise da atuação do crime organizado no Brasil.
Em participação no Jornal Espinharas Notícias, Guedes destacou que a presença do crime organizado não se limita às ruas, mas se estende aos três poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. “O crime só se organiza se ele tiver infiltrado nos três poderes do Estado. Isso não é novidade para ninguém”, afirmou, lembrando casos de corrupção envolvendo juízes, desembargadores, ministros e policiais, e ressaltando que, mesmo sendo uma minoria, esses agentes causam um impacto significativo.
O especialista comentou ainda sobre a megaoperação no Rio, que mobilizou forças para enfrentar o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão. Segundo ele, houve vazamento de informações que dificultou a ação policial: “Na entrada dos policiais, ainda na madrugada, eles já receberam uma saravada de tiros, porque estavam de prontidão. Alguém vazou essa informação, infelizmente.”
Deusimar Guedes defendeu a necessidade de corregedorias fortes e independentes para punir severamente agentes públicos corruptos, sugerindo até dobro da pena para aqueles que colaboram com o crime. “Esses bandidos são muito mais perigosos do que aqueles que estão nas ruas na sociedade em geral”, destacou.
Sobre o papel do cidadão, Guedes reforçou a importância da participação ativa: “O que o cidadão pode fazer é denunciar sempre. Existem números de denúncia anônima; não podemos desistir. A sociedade só terá chances se tiver a mesma ousadia que os homens maus. Enquanto os homens de bem ficarem acomodados, o mal continuará a crescer.”
Ouça abaixo o trecho da fala de Deusimar:
A análise do especialista chama atenção para a complexidade do combate ao crime organizado e para a necessidade de ações estruturadas, integridade das instituições e participação da população para reduzir os efeitos da violência e da corrupção no país.
Por Patos Online
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