
Cinco depois de ser afastado da presidência do São Paulo pelo Conselho Deliberativo do clube, Julio Casares renunciou ao cargo nesta quarta-feira (21).
A renúncia foi comunicada pelo próprio dirigente, que publicou uma carta aberta aos torcedores em suas redes sociais (leia completa abaixo).
"Renuncio à presidência para preservar minha saúde e proteger minha família. Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube", escreveu, em trecho da publicação.
Com a ''manobra'', o cartola garante, ao menos, seus direitos políticos, já que em caso de impeachment, não poderia mais exercer qualquer função no Tricolor pelos próximos 10 anos.
Na noite da última sexta-feira, o Conselho Deliberativo do clube aprovou o impeachment do mandatário, que deixou a presidência de maneira imediata, até que nova votação aconteça entre os sócios, e que pode definir de uma vez por todas a sua saída. Dessa forma, o vice Harry Massis Júnior, que está no cargo desde 2021, assumiu o comando.
Casares, de 64 anos, passou a ser alvo de investigações nos últimos tempos, uma delas a respeito de um suposto recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro na sua conta corrente, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
A apuração, obtida por meio de relatórios de análise financeira do Coaf, mostra que o valor corresponde a quase a metade da renda do dirigente no período, enquanto seus salários recebidos do Tricolor representam "apenas" 19,3% de toda a movimentação na conta.
O documento indica que há registros de até 12 depósitos em um único dia, em valores pequenos, de forma fracionada, o que caracteriza uma prática conhecida como "smurfing", que nada mais é do que uma tentativa de burlar os mecanismos de controle.
Um esquema de venda ilegal de um camarote no Morumbis, envolvendo dois membros da diretoria, abalou os bastidores do São Paulo no meio de dezembro.
De acordo com gravação divulgada pelo portal Ge, o diretor adjunto da base, Douglas Schwartzmann, e a diretora feminina, cultural e de eventos, Mara Casares - ex-esposa de Julio Casares - venderam ingressos de forma irregular para um camarote cedido por Marcio Carlomagno, atual CEO e provável candidato à presidência na eleição de 2026.
O fato ocorreu em fevereiro de 2025, como mostra um processo que corre na 3ª Vara Cível do Foro Regional IX - Vila Prudente, ao qual a ESPN teve acesso. O show em questão foi o da cantora colombiana Shakira, ocorrido no Morumbis, e o camarote é chamado de "3A", que fica ao lado do camarote da presidência no estádio.
Além disso, Mara Casares se afastou das atividades e protocolou em cartório um documento que exime o atual mandatário da história da venda ilegal de camarotes, que foi publicada pela ESPN no último dia 15 de dezembro.
Após a divulgação da investigação, o presidente do São Paulo emitiu uma nota à imprensa por meio de seus advogados.
"Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam a defesa particular de Júlio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
“Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.
Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhados e esclarecidos no curso das investigações - com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial”.
Carta à comunidade são-paulina
Uma mensagem aos torcedores, conselheiros e sócios
Ao longo da minha trajetória à frente da presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição, sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.
Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.
O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sento reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.
Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação no debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou verões construídas em verdades aparentes.
Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube - fatos que o tempo e a história haverão de registrar.
Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.
Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas.
Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.
A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política.
Respeito essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade.
Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas.
Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saída e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continua a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de presidente, com efeito a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral.
Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.
Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu respeito e confiança.
Tenho absoluta convicção de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e da instituição. Meu afastamento também tem como objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e isenta, sem qualquer alegações ou interferências, para que a verdade possa ser plenamente buscada e alcançada.
Reitero, por fim, minha certeza de que o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer cargo, circunstância ou narrativa construída.
Renuncio à presidência para preservar minha saúde e proteger minha família. Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube.
Despeço-me com respeito, gratidão e amor permanente por essa instituição, que sempre honrarei.
Julio Casares
Fonte: ESPN
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