
Duas empresas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que enviaram mais de R$ 3 milhões a contas bancárias do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não atendem no endereço em que estão sediadas.
O Metrópoles visitou na quinta-feira (5/3) o prédio comercial na zona oeste de São Paulo, onde as empresas LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia estão registradas na Junta Comercial, e foi informado de que as salas estão desocupadas há 7 meses.
Antes de ficar vazia, as duas salas do primeiro andar abrigavam uma certificadora digital e uma organização social que presta serviços de saúde. Segundo os registros das duas empresas de Lulinha – LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia –, a principal atividade delas é “suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação”.
De acordo com registros da quebra de sigilo bancário de Lulinha, que foram enviados à CPMI do INSS e revelados pela coluna de Andreza Matais, a LFF Tech Participações enviou R$ 2,37 milhões a Lulinha e a G4 Entretenimento e Tecnologia mandou R$ 772 mil ao filho do presidente. As transferências ocorreram entre 2022 e 2025.
A defesa de Lulinha afirma que o endereço é usado apenas para recebimento e encaminhamento de correspondências.
“A empresa LLF Tech não possui escritório externo e sua sede sempre foi a residência de Fábio Luís, alterada somente após sua mudança para o exterior. A empresa G4 não está mais em atividade, mas possui créditos judicializados a receber, que quando são pagos, são distribuídos”, diz o advogado Guilherme Suguimori em nota.
Ao todo, a quebra de sigilo revelou uma movimentação de R$ 19,3 milhões no período de quatro anos. A defesa afirma que o montante “não retrata nenhum valor real” porque corresponde a soma de movimentações, o que pode significar valores repetidos em entradas e saídas.
Do valor revelado na quebra de sigilo, R$ 9,6 milhões foram recebidos por Lulinha e o restante foi pago a outras contas bancárias.
A CPMI que apura a fraude no INSS, revelada pelo Metrópoles, investiga o filho do presidente Lula pela relação dele com Antonio Carlos Camilo Antunes, o lobista conhecido como Careca do INSS.
Lulinha e Careca viajaram juntos para Portugal para conhecer uma fábrica de cannabis medicinal. A interlocutores, Lulinha tem dito que não fechou negócio, embora tenha viajado com o lobista.
A Polícia Federal (PF) investiga anotações do Careca do INSS para pagar R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. Um ex-funcionário do lobista disse à PF que o valor era pago a Lulinha, por meio de uma empresa de cannabis sediada em Portugal. A defesa do Lulinha nega relação do filho do presidente com os fatos investigados na comissão.
“Reitero que Fábio Luís não tem relação com as fraudes do INSS, o que será verificado pelas autoridades competentes quando analisarem esses documentos sigilosos que foram infeliz e seletivamente vazados”, afirmou Suguimori, em nota.
Fonte: Metrópoles
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