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Política TAXA DE JUROS

BC corta juros em 0,25 ponto, a 14,5%, mas vê inflação se afastar da meta

Decisão saiu em linha com expectativas do mercado, que vinham deteriorando desde início da guerra no Oriente Médio, há cerca de dois meses

29/04/2026 às 21h25 Atualizada em 29/04/2026 às 23h01
Por: Felipe Vilar Fonte: CNN Brasil
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Foto: Seu Benefício Digital
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O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) voltou a cortar, nesta quarta-feira (29), a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, levando a Selic ao patamar de 14,5% ao ano.

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A decisão foi unânime e saiu em linha com as expectativas do mercado, que vinham deteriorando desde o início da guerra no Oriente Médio, há cerca de dois meses.

Em seu comunicado, o Copom voltou a destacar que "o ambiente externo permanece incerto", indicando preocupação com a "indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais".

"Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", disse o colegiado.

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Ainda assim, o Copom afirmou que "julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária".

O colegiado avaliou que o "período prolongado" de juros elevados está gerando efeitos sobre a desaceleração da atividade econômica.

O comitê ressaltou neste comunicado que o cenário garante condições para que sejam feitos ajustes no ritmo do ciclo de cortes. Além disso, acrescentou que a maneira como foram conduzidos os juros dá espaço também para o Copom definir a "extensão" da calibração da Selic.

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"O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta", pontuou o BC.

Projeção de inflação

O BC reajustou suas expectativas para a inflação, passando a avaliar que os preços vão subir 4,6% em 2026, estourando o teto da meta perseguida pela autoridade monetária. Anteriormente, a autarquia estimava que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) seria de 3,9% neste ano.

"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", enfatizou o Copom.

O colegiado também reajustou suas estimativas para o IPCA no horizonte relevante - prazo futuro que considera ao tomar suas decisões sobre a taxa Selic.

Antes avaliada em 3,3% para o terceiro trimestre de 2027, a inflação no horizonte relevante passou a ser estimada em 3,5% no quarto trimestre de 2027.

Perspectivas

Quanto às expectativas do mercado, o boletim Focus indica que, apesar de os investidores verem espaço para mais quedas de juros ao longo do ano, as perspectivas para a Selic e inflação neste ano têm se deteriorado, com os agentes econômicos enxergando cada vez mais a taxa básica do país num patamar maior que o esperado anteriormente.

Na última decisão de juros, do dia 18 de março, quando o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, a primeira redução desde maio de 2024, a diretoria do BC já havia explicitado em seu comunicado que "o ambiente externo tornou-se mais incerto".

O colegiado havia sinalizado que acompanharia, sobretudo, o impacto do conflito sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação do Brasil.

Copom desfalcado

Normalmente contando com nove votos, a reunião desta quarta contou com três desfalques. O comitê já está com dois participantes a menos desde a saída de Diogo Guillen, da diretoria de Política Econômica, e de Renato Gomes, da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

Os diretores Paulo Picchetti, de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, e Gilneu Vivan, de Regulação, estão acumulando as diretorias até que as vagas sejam preenchidas.

A terceira ausência foi informada pelo Banco Central na terça-feira (28). O diretor de Administração da autoridade monetária, Rodrigo Alves Teixeira, não participa, de forma excepcional, da reunião do Copom, devido o falecimento de um familiar em primeiro grau. Com a ausência de Teixeira, a decisão contou com seis votos.

Fonte: CNN Brasil

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