
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência da corporação. Os dois haviam sido afastados na terça-feira (8) por decisão do ministro André Mendonça, em meio à crise envolvendo investigações da PF relacionadas ao Banco Master.
Na decisão, Dino afirmou que o afastamento foi marcado por “atropelos processuais” e questionou a legitimidade do Partido Novo, autor do pedido que resultou na medida, para requerer o afastamento de autoridades em uma investigação criminal. O ministro também destacou que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são atribuições do presidente da República e que eventual intervenção judicial nessa área deve observar rigorosamente as regras de competência e o devido processo legal.
Dino também citou na decisão o encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master e investigado em processos que estão sob competência do próprio ministro. A reunião ocorreu em março de 2025, em uma empresa privada, e veio a público recentemente. Mendonça confirmou o encontro e afirmou que, na ocasião, ouviu Vorcaro sobre uma ação relacionada a créditos de precatórios de interesse do banco.
Ao mencionar o encontro, Dino afirmou que não fazia “juízo de valor antecipado” sobre o que teria ocorrido na reunião, mas avaliou que a situação exigia “moderação, equilíbrio e prudência” por parte dos integrantes da magistratura. O ministro também questionou a possibilidade de decisões que afetem investigações da PF serem tomadas individualmente quando os próprios magistrados aparecem no contexto dos relatórios produzidos pela corporação.
A decisão de Dino ocorre após a Segunda Turma do STF formar maioria para acompanhar o afastamento determinado por Mendonça, mas o julgamento ter sido interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Dino determinou que a controvérsia seja submetida ao Plenário do Supremo e ressaltou que investigações em andamento não podem ser prejudicadas por um eventual “caos administrativo” ou pela interrupção dos trabalhos de inteligências da Polícia Federal.
O episódio amplia a crise interna no STF e envolve disputas relacionadas às investigações sobre o Banco Master, à atuação da Polícia Federal e às relações de autoridades com Daniel Vorcaro. A defesa do banqueiro acompanha o conflito entre o Supremo e a cúpula da PF, enquanto as decisões sobre os cargos de Andrei Rodrigues e Leandro Almada deverão continuar sendo analisadas pela Corte.
Por Patos Online
Com informações do Metrópoles
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