A perícia realizada no corpo do recém-nascido Bryan Gabriel, de 23 dias, morto em Patos, no Sertão da Paraíba, confirmou que a criança sofreu 24 golpes de arma branca, sendo que uma das perfurações atingiu o coração. O crime aconteceu na quarta-feira (14), e os principais acusados são os pais do bebê, Marcos Gabriel e Mirelly Laila, ambos de 19 anos, que estão presos aguardando audiência de custódia.
Em entrevista ao programa Correio Verdade, da TV Correio, o chefe do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos, Dionísio Filho, afirmou que as lesões identificadas no corpo da criança indicam que não há possibilidade de o caso ser tratado como um acidente. Segundo o perito, a quantidade e a localização dos ferimentos apontam para uma ação intencional.
De acordo com Dr. Dionísio, o bebê apresentava perfurações no rosto, no tórax, no abdômen e nas costas. Uma delas atingiu o coração, provocando uma grave hemorragia.
“Um caso chocante. A equipe pericial identificou no corpo da criança 24 perfurações por arma branca. A gente pode afirmar que ele sofreu, agonizou antes da morte”, relatou o perito durante a entrevista.
Ainda conforme Dr. Dionísio Filho, a criança sofreu um choque hemorrágico em decorrência da perda de sangue. O médico-legista também informou que o corpo permanece no Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), em Patos, aguardando que um familiar faça a liberação para o velório e o sepultamento.
Confira a entrevista abaixo:
Marcos Gabriel e Mirelly Laila foram presos suspeitos de envolvimento no homicídio do próprio filho. Os dois passaram por interrogatórios conduzidos pela Polícia Civil e, segundo o delegado Emerson Barbosa, da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos, atribuem um ao outro a responsabilidade pelas agressões contra o bebê.
Em entrevista à imprensa, o delegado também apresentou detalhes sobre o relacionamento do casal e as circunstâncias que antecederam o crime.
Segundo o delegado, o pai afirmou em depoimento que a mãe teria atacado o bebê por ciúmes da atenção que ele dedicava à criança. Ele relatou ter presenciado o primeiro golpe e, em seguida, deixado a residência em desespero.
Ainda conforme o relato apresentado pelo suspeito, ele não teria retornado para verificar o estado de saúde do filho após sair do imóvel. Essa circunstância também é analisada pela investigação, especialmente quanto à possível omissão de socorro.
Já a mãe apresentou uma versão diferente. De acordo com o delegado, ela afirmou que o pai teria iniciado uma discussão porque não queria que ela deixasse a residência levando a criança. Segundo a versão dela, o homem teria oferecido uma faca repetidas vezes e, posteriormente, segurado seus braços e forçado sua mão a desferir os golpes, inicialmente contra ele.
Conforme o delegado, as declarações ainda precisam ser confrontadas com os demais elementos da investigação. Até o momento, a Polícia Civil não concluiu quem teria desferido os golpes nem definiu a responsabilidade individual de cada um dos investigados.
Emerson Barbosa relatou que o casal teve um relacionamento marcado por separações e reconciliações. Conforme as informações apuradas nos interrogatórios, os dois se conheceram por meio do jogo on-line Free Fire e chegaram a morar juntos em Minas Gerais por cerca de quatro a cinco meses.
Posteriormente, retornaram à Paraíba e alugaram uma residência em Patos. À época do crime, porém, não estavam mais vivendo juntos. Segundo o delegado, a mãe havia retornado para um antigo companheiro, residente em São Bento, e foi a Patos para buscar seus pertences.
A discussão teria ocorrido enquanto ela organizava as roupas e os objetos pessoais para deixar a cidade. A possível motivação e a dinâmica exata do homicídio ainda estão sendo investigadas.
Os dois suspeitos têm audiência de custódia prevista para a tarde desta quinta-feira (15), procedimento em que a Justiça avaliará as circunstâncias das prisões.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Por Patos Online