O secretário de Agricultura e Meio Ambiente da Prefeitura de Pombal, fazendeiros (fornecedores de gado), um advogado, um gerente e um ex-gerente de instituições financeiras estão entre as pessoas detidas pela Polícia Federal nesta sexta-feira (6). Eles são acusados de formação de crime organizado contra o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), administrado pelo Ministério da Agricultura.
A operação denominada “Inapto” cumpre cinco mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão nas cidades de Pombal, Sousa e João Pessoa. Segundo as primeiras informações, estima-se um prejuízo de R$ 5 milhões ao Banco do Brasil e ao Banco do Nordeste.
Os acusados serão interrogados durante toda esta sexta-feira pelos delegados da Polícia Federal, e a documentação apreendida será objeto de análise, feita por policiais.
O esquema consistiria em falsificar documentos e criar pessoas “laranjas” para adquirir empréstimos e financiamentos que variam entre R$ 800 até R$ 12 mil. A operação recebeu o nome “Inapto” justamente porque as pessoas que receberam estes valores não tinha autorização para tal.
A investigação do grupo de fraudadores se iniciou em 2007. Dois Inquéritos foram instaurados para apurar os delitos, sendo um para aferir as fraudes havidas no Banco do Brasil de Pombal e outro para o Banco do Nordeste, no mesmo município. Durante a investigação, a Polícia Federal teve o importante apoio técnico das referidas instituições financeiras, as quais detinham importante acervo probatório contra os investigados
Como funcionava a fraude
De acordo com a Polícia Federal, as análises dos processos de financiamento e as investigações policiais comprovaram a elaboração de Declarações de Aptidão (DAPs) ao Pronaf falsas, assim como pessoas sem perfil para obter o financiamento.
Pessoas usadas pela quadrilha, “laranjas”, foram identificadas, assim como diligências de campo e auditorias do Banco do Brasil e Banco do Nordeste, foram pródigas em comprovar o esquema criminoso.
O ponto crucial da investigação se deu pelo fato de que um dos encabeçadores do esquema estaria ameaçando funcionários do Banco do Nordeste, além de estarem aliciando os laranjas que se dirigiam ao Banco para denunciar o esquema, haja vista a condição de devedores em que se encontram os aliciados.
Em decorrência das fraudes, os bancos decidiram adotar critérios mais rígidos para a concessão dos financiamentos, além de que os créditos do Pronaf estariam suspensos, haja vista a inadimplência exorbitante, o que decorre do esquema criminoso hoje desarticulado.
“Espera-se que com o desbaratamento da quadrilha possa a população rural carente voltar a ter acesso aos créditos do Pronaf, a fim de minimizar as dificuldades vividas no sertão nordestino e impulsionar a economia local”, declarou a Polícia Federal em nota enviada à imprensa.
Paraiba1
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