Os procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato alertaram nesta quarta-feira, 9, que um substitutivo do projeto de lei 3636/2015 coloca “em risco” a maior investigação já desfechada contra a corrupção no País.
“Querem enterrar a Lava Jato”, disse o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, decano da força-tarefa.
Lima e seus colegas convocaram a imprensa em Curitiba para anunciar o “repúdio à tentativa de líderes partidários de votar em regime de urgência na Câmara dos Deputados o projeto que altera a Lei de Organização Criminosa”.
O substitutivo que inquieta os procuradores seria colocado em votação nesta quarta-feira, em regime de urgência, na Câmara. A sessão foi adiada depois que o Ministério Público Federal se manifestou contra a proposta.
Na avaliação da força-tarefa da Lava Jato, na prática, se o texto for aprovado, “vai acabar com os acordos de leniência já fechados em todo o País e barraria todos os outros”.
“O substitutivo implicaria na extinção de punibilidade dos crimes, ou seja, a anistia de todos os crimes ocorridos na Lava Jato que estejam no âmbito das empreiteiras”, adverte Carlos Lima. “As empresas fazem acordo com órgãos do Executivo e todos os crimes serão perdoados.”
“Repetem-se aqui as tentativas do governo anterior de desfigurar a lei anti-corrupção, caracterizando-se essa manobra em intervenção na investigação da Operação Lava Jato e em outras dela decorrentes”, afirmam.
O procurador Deltan Dalagnoll é taxativo. “Representaria uma anistia ampla para toda empreiteira que fechar acordo com órgãos do Executivo.”
Segundo os procuradores, a alteração na lei que define organização criminosa “implicaria numa mudança de todo o cenário de acordos com empreiteiras e, consequentemente, de delações premiadas fechadas com executivos ligados a esses grupos”.
“Não teremos, efetivamente, uma Lava Jato”, prevê Carlos Lima.
Por Estadão Conteúdo
Publicado por Exame.com
ELEIÇÕES 2026 Disputa que ganhou força na reta final termina com Veneziano 79 mil votos à frente de Nabor
ELEIÇÕES 2026 Michelle Bolsonaro e Bia Kicis são eleitas senadoras pelo DF
ELEIÇÕES 2026 Sergio Moro vence no 1º turno e é eleito governador do Paraná Mín. 21° Máx. 36°