Mais de 20 municípios do Cariri paraibano estão enfrentando problemas com abastecimento de água. A Operação Carro-Pipa foi paralisada, por tempo indeterminado, por causa da suspensão da captação de água do açude Manoel Marcionilo, em Taperoá, que abastecia esses municípios da região.
Uma das cidades que mais enfrentam dificuldades com a escassez é o município de Junco do Seridó. A área urbana, por mais que ainda sofra com a falta de água, consegue pagar com recursos federais e municipais o abastecimento da população com carros-pipas.
Já na área rural, onde mais de duas mil pessoas moram, todos estão com escassez total. O exército, que era encarregado de levar a água deixou de fazer a captação do açude devido ao nível baixo no reservatório. O coordenador da Defesa Civil do município, Gerôncio Neto, relatou que não recebeu respostas, e a população segue cobrando o abastecimento.
“Até o presente momento, a gente não tem resposta nenhuma do Exército Brasileiro sobre a questão da volta desse abastecimento: quando vai voltar, qual manancial que a gente vai retirar água… E a população fica sofrendo, na zona rural principalmente. A gente está entrando num período muito seco, muito crítico, e a gente não tem de onde tirar, de jeito nenhum”, ressaltou.
Não tem manancial na nossa cidade, e o mais próximo era Taperoá, e fechou. A gente fica de mãos atadas sem ter o que fazer. O pessoal nos cobrando, mandando mensagem, pedindo água. E a gente não tem como atender”, revelou o coordenador.
A expectativa é de que a Defesa Civil de Junco do Seridó busque o Ministério Público da Paraíba (MPPB), a Defesa Civil estadual e o exército novamente para cobrar soluções. Além do município, outras 21 seguem com problemas de abastecimento, atingindo mais de 20 mil pessoas.
A Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) revelou que o abastecimento foi interrompido por conta do exército, que havia comunicado há mais de dois meses.
A indicação do órgão para os militares era a captação hídrica do açude de Poções, em Monteiro; de Camalaú, em Camalaú; e de Cordeiro, em Congo. Por isso, Porfirio Catão, presidente da Aesa, reforçou que, apesar de suspender o abastecimento em Taperoá, o órgão está seguindo a lei.
“A Aesa está simplesmente cumprindo o que determina a 9433, a Lei das Águas. Nós estamos preservando um reservatório que não tem mais condição de fazer essa retirada para o abastecimento para a cidade de Taperoá’, disse.
E estamos indicando outros reservatórios para que seja feita a operação do carro-pipa, como também a própria Defesa Civil nacional já comunicou ao Exército Brasileiro, que é responsável pela Operação Carro-Pipa, para fazer essa realocação”, completou o presidente da Aesa.
Leonardo Abrantes – MaisPB
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