
Durante reunião do Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos), o embaixador Benoni Belli, representante do Brasil tratou da captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, como um "sequestro".
"Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso", afirmou.
Em sua fala, Belli disse que o momento atual "evoca tempos que considerávamos ultrapassados, mas que voltam a assolar a América Latina e o Caribe".
"A ação que acaba de acontecer não só viola a proibição do uso da força como lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe", afirmou.
"A soberania nacional, sustentada no direito internacional e nas instituições multilaterais, é fundamental para que os povos possam exercer sua autodeterminação. O edifício multilateral, apesar de suas imperfeições, constitui o único instrumento disponível para assegurar racionalidade, igualdade e justiça entre as nações", continuou.
De acordo com o embaixador, se isso for perdido, "perderemos não só a independência, mas também a dignidade nacional, e seremos coadjuvantes na definição de nosso destino."
Para Belli, os ataques dos Estados Unidos ao território venezuelano, assim como a captura de Maduro, violaram a Carta das Nações Unidas e as obrigações hemisféricas. Ele diz enxergar com "preocupação" tais fatos.
"O Brasil está convencido, nesse sentido, de que somente um processo político inclusivo, liderado pelas e pelos venezuelanos, livre de ingerências externas, pode conduzir a uma solução que respeite a vontade do povo venezuelano e dignidade humana do país", concluiu.
O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos realizou reunião extraordinária nesta terça-feira (06) para analisar os eventos recentes na Venezuela.
A Organização diz ter como missão promover a paz, a justiça e a defesa da soberania dos países membros.
Fonte: CNN Brasil
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