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Policial Operação Argos

Polícia Civil da PB deflagra maior ofensiva da história contra o crime organizado e mira principal fornecedor de drogas do estado ligado ao PCC; mandados foram cumpridos também em Patos

Ação ocorre em cinco estados, mobiliza mais de 400 policiais civis e cumpre 44 mandados de prisão, além de bloqueio superior a R$ 104 milhões

26/02/2026 às 11h29 Atualizada em 26/02/2026 às 12h29
Por: PATOS ONLINE Fonte: Patos Online
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Foto: Divulgação/Polícia Civil
Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a maior operação já realizada pela instituição contra o crime organizado. Batizada de Operação Argos, a ofensiva é coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e tem como principal alvo o homem apontado como o maior fornecedor de drogas para todo o território paraibano e regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e do Ceará.

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A ação acontece simultaneamente em cinco estados — Paraíba, São Paulo, Bahia, Mato Grosso e Goiás — e mobiliza mais de 400 policiais civis. Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais que atingem diretamente o núcleo financeiro da organização criminosa.

A operação conta com o apoio do GAECO/MPPB e de forças especializadas da própria Polícia Civil, como GOE, GOC, UNINTELPOL, Coordeam e as Delegacias de Repressão a Entorpecentes de João Pessoa e Campina Grande. Em São Paulo, há suporte do DENARC e de unidades do DEIC, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e do Mato Grosso.

O alvo principal: ligação direta com o PCC

As investigações apontam como líder da organização criminosa Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras (PB), mas radicado em São Paulo desde a juventude. Chocô foi preso em um condomínio de luxo na cidade de Hortolândia-SP. Segundo a Polícia Civil, ele ascendeu dentro do sistema prisional paulista e estabeleceu conexões diretas com o núcleo “Sintonia” do Primeiro Comando da Capital (PCC), considerado o centro decisório da facção.

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A partir dessa articulação, “Chocô” teria se consolidado como o principal elo logístico para o envio de cocaína e maconha ao Nordeste, estruturando uma rede interestadual com forte capacidade de distribuição. A Polícia Civil aponta que o investigado ostentava padrão de vida elevado, com imóveis de luxo, veículos esportivos e viagens internacionais, financiados pelo tráfico de drogas.

Prejuízo superior a R$ 100 milhões

O inquérito teve início em 2023, após sucessivas apreensões de grandes carregamentos de entorpecentes em território paraibano. O cruzamento de dados de inteligência revelou que todas as cargas pertenciam ao mesmo grupo.

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Entre as principais apreensões vinculadas à organização estão:

  • Maio de 2023 – Patos/PB: 150 kg de cocaína escondidos em caminhão Scania (prejuízo estimado em R$ 27 milhões).
  • Junho de 2023 – Cajazeiras/PB: 400 kg de drogas, sendo 380 kg de maconha e 20 kg de cocaína (R$ 6,8 milhões).
  • Outubro de 2023 – Conceição/PB: 1 tonelada de entorpecentes (R$ 46 milhões).
  • Dezembro de 2024 – Patos/PB: 30 kg de drogas (R$ 1,5 milhão).
  • Fevereiro de 2025 – São José de Piranhas/PB: 80 kg de cocaína pura com selo “Tio Patinhas” (R$ 10 milhões).
  • Setembro de 2025 – Patos/PB: 50 kg de entorpecentes (R$ 1 milhão).

Somadas, as apreensões representam prejuízo superior a R$ 100 milhões à organização criminosa.

Estrutura empresarial do crime e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil identificou que o grupo atuava com divisão estruturada de funções, organizada em núcleos gerenciais e operacionais.

No transporte, eram utilizadas carretas de transportadoras lícitas para camuflar a droga em meio a cargas regulares, além de veículos de apoio. No varejo, subnúcleos na Paraíba eram responsáveis por pulverizar o entorpecente até o consumidor final.

O núcleo financeiro operava um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, com movimentação estimada em cerca de R$ 500 milhões desde 2023.

Entre os investigados estão operadores apontados como peças-chave na lavagem de capitais, incluindo uma ex-bancária que teria movimentado mais de R$ 15 milhões por meio de empresa de fachada e uma médica atuante no Mato Grosso, suspeita de funcionar como elo financeiro na fronteira para recebimento de valores oriundos do tráfico internacional.

Conforme a Polícia Civil, elas são:

  • Giovanna Parafatti: Ex-bancária com profundo conhecimento do sistema financeiro. Movimentou mais de R$ 15 milhões através de uma holding familiar e da empresa de fachada G Parafatti S Administrativos. Utilizava familiares para pulverizar recursos e adquirir veículos esportivos para a cúpula da ORCRIM.
  • Naiara Batistelo: Médica formada na Bolívia e atuante no Mato Grosso. Atuava como um "hub" de liquidez na fronteira, recebendo mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses. A suspeita é que seu histórico acadêmico na Bolívia facilitou sua cooptação como "laranja financeira" no comércio transfronteiriço de cocaína.

Suspeita de infiltração em contratos públicos

A investigação também revelou indícios de tentativa de lavagem de dinheiro por meio de contratos públicos. Uma empresa de construção civil sediada em Pombal (PB) teria recebido quase R$ 3 milhões em empenhos em 2024, mesmo sem possuir funcionários registrados, segundo a apuração policial. Há ainda referência a empresa sediada em Goiás, com apenas um funcionário formal, que realizava transações milionárias com o grupo investigado.

A tentativa de lavagem de dinheiro através de contratos públicos:

  • AF Amaro Construções (Pombal/PB): Recebeu quase R$ 3 milhões em empenhos públicos em 2024 para serviços de esgoto e lixo, sem possuir funcionários registrados. O dinheiro público era usado para irrigar o tráfico de drogas liderado por Luciano Moraes, preso na manhã desta quinta-feira (26), em Pombal.
  • Empresa de Goiás: Com apenas um funcionário, transacionava milhões com o narcotráfico da Paraíba e possuía sócios envolvidos em crimes licitatórios em Minas Gerais.

Mandados e bloqueios milionários

A Operação Argos cumpre mandados em 13 cidades:

  • Paraíba: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras.
  • São Paulo: São Paulo, São Bernardo do Campo e Hortolândia.
  • Bahia: Cândido Sales.
  • Mato Grosso: Nova Santa Helena.
 
 
 
 
 
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Um post compartilhado por DRACO I POLÍCIA CIVIL DA PARAÍBA (@draco.pcpb)

Resumo das medidas judiciais:

  • 44 mandados de prisão preventiva (32 na Paraíba, 10 em São Paulo, 1 na Bahia e 1 no Mato Grosso);
  • 45 mandados de busca e apreensão;
  • Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas vinculadas a 199 alvos;
  • Sequestro de 13 imóveis de alto padrão;
  • Sequestro de 40 veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte, avaliados em mais de R$ 10 milhões.

Significado do nome da operação

O nome Argos faz referência a Argos Panoptes, personagem da mitologia grega conhecido como o gigante de cem olhos, que nunca dormia completamente. Segundo a Polícia Civil, o simbolismo remete à vigilância permanente da instituição no monitoramento das ações do crime organizado.

Com a ofensiva, a Polícia Civil afirma ter atingido o tripé que sustentava a organização criminosa: logística, varejo e capital, desestruturando a cadeia de fornecimento que abastecia a Paraíba e áreas do Sertão pernambucano e cearense.

As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.

Figura 7 - Infográfico e estrutura da ORCRIM liderada por CHOCÔ (Foto: Divulgação/PCPB)

 

Por Patos Online

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