
A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a maior operação já realizada pela instituição contra o crime organizado. Batizada de Operação Argos, a ofensiva é coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e tem como principal alvo o homem apontado como o maior fornecedor de drogas para todo o território paraibano e regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e do Ceará.
A ação acontece simultaneamente em cinco estados — Paraíba, São Paulo, Bahia, Mato Grosso e Goiás — e mobiliza mais de 400 policiais civis. Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais que atingem diretamente o núcleo financeiro da organização criminosa.
A operação conta com o apoio do GAECO/MPPB e de forças especializadas da própria Polícia Civil, como GOE, GOC, UNINTELPOL, Coordeam e as Delegacias de Repressão a Entorpecentes de João Pessoa e Campina Grande. Em São Paulo, há suporte do DENARC e de unidades do DEIC, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e do Mato Grosso.
As investigações apontam como líder da organização criminosa Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras (PB), mas radicado em São Paulo desde a juventude. Chocô foi preso em um condomínio de luxo na cidade de Hortolândia-SP. Segundo a Polícia Civil, ele ascendeu dentro do sistema prisional paulista e estabeleceu conexões diretas com o núcleo “Sintonia” do Primeiro Comando da Capital (PCC), considerado o centro decisório da facção.
A partir dessa articulação, “Chocô” teria se consolidado como o principal elo logístico para o envio de cocaína e maconha ao Nordeste, estruturando uma rede interestadual com forte capacidade de distribuição. A Polícia Civil aponta que o investigado ostentava padrão de vida elevado, com imóveis de luxo, veículos esportivos e viagens internacionais, financiados pelo tráfico de drogas.

O inquérito teve início em 2023, após sucessivas apreensões de grandes carregamentos de entorpecentes em território paraibano. O cruzamento de dados de inteligência revelou que todas as cargas pertenciam ao mesmo grupo.
Entre as principais apreensões vinculadas à organização estão:
Somadas, as apreensões representam prejuízo superior a R$ 100 milhões à organização criminosa.

A Polícia Civil identificou que o grupo atuava com divisão estruturada de funções, organizada em núcleos gerenciais e operacionais.
No transporte, eram utilizadas carretas de transportadoras lícitas para camuflar a droga em meio a cargas regulares, além de veículos de apoio. No varejo, subnúcleos na Paraíba eram responsáveis por pulverizar o entorpecente até o consumidor final.
O núcleo financeiro operava um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, com movimentação estimada em cerca de R$ 500 milhões desde 2023.

Entre os investigados estão operadores apontados como peças-chave na lavagem de capitais, incluindo uma ex-bancária que teria movimentado mais de R$ 15 milhões por meio de empresa de fachada e uma médica atuante no Mato Grosso, suspeita de funcionar como elo financeiro na fronteira para recebimento de valores oriundos do tráfico internacional.
Conforme a Polícia Civil, elas são:

A investigação também revelou indícios de tentativa de lavagem de dinheiro por meio de contratos públicos. Uma empresa de construção civil sediada em Pombal (PB) teria recebido quase R$ 3 milhões em empenhos em 2024, mesmo sem possuir funcionários registrados, segundo a apuração policial. Há ainda referência a empresa sediada em Goiás, com apenas um funcionário formal, que realizava transações milionárias com o grupo investigado.
A tentativa de lavagem de dinheiro através de contratos públicos:

A Operação Argos cumpre mandados em 13 cidades:
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Resumo das medidas judiciais:

O nome Argos faz referência a Argos Panoptes, personagem da mitologia grega conhecido como o gigante de cem olhos, que nunca dormia completamente. Segundo a Polícia Civil, o simbolismo remete à vigilância permanente da instituição no monitoramento das ações do crime organizado.
Com a ofensiva, a Polícia Civil afirma ter atingido o tripé que sustentava a organização criminosa: logística, varejo e capital, desestruturando a cadeia de fornecimento que abastecia a Paraíba e áreas do Sertão pernambucano e cearense.
As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.
Por Patos Online
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