
Uma mulher de 36 anos ficou paraplégica após a queda de um elevador em um condomínio residencial no bairro do Altiplano, em João Pessoa. O acidente aconteceu no fim da tarde da última quarta-feira (13), quando o equipamento despencou do terceiro andar do edifício com a vítima e duas crianças dentro da cabine.
A confirmação do diagnóstico foi feita nesta quinta-feira (14) pelo diretor do Hospital de Trauma de João Pessoa, Laécio Bragante. Segundo ele, a paciente sofreu uma grave lesão na coluna vertebral, constatada por meio de tomografia e outros exames realizados pela equipe de neurocirurgia da unidade hospitalar.
De acordo com o diretor, a paciente deverá passar por uma cirurgia para estabilização da coluna, procedimento necessário para evitar agravamento dos danos na medula.
“Quando há um trauma desse, é preciso fazer a estabilidade nas vértebras para não haver dano adicional à medula. Essa cirurgia é feita colocando placas laterais para a coluna ficar estável”, explicou.
Ainda conforme o hospital, a mulher é natural do Suriname, mas mora atualmente em João Pessoa com os dois filhos, de três e cinco anos. A família reside na Holanda. Após o acidente, parentes solicitaram a transferência dela para uma unidade hospitalar particular da Capital.
As duas crianças também estavam no elevador no momento da queda. Elas sofreram apenas escoriações leves, foram atendidas no Hospital de Trauma e receberam alta médica na manhã desta quinta-feira (14). Desde então, permanecem sob os cuidados de um amigo da família.
O caso trouxe à tona um processo judicial movido anteriormente pelo condomínio contra a construtora responsável pelo empreendimento. A ação tramita na 7ª Vara Cível da Capital e aponta diversos problemas estruturais e falhas recorrentes nos elevadores desde a entrega do residencial, em setembro de 2023.
Segundo documentos anexados ao processo, os moradores já haviam relatado travamentos, falhas nos sistemas de segurança, interrupções constantes e até episódios anteriores envolvendo quedas abruptas de elevadores.
Um laudo técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 apontou várias irregularidades no elevador do Bloco B — justamente onde ocorreu o acidente. Entre os problemas identificados estavam ausência de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico, inexistência de dispositivos de resgate emergencial e deficiência na ventilação da casa de máquinas.
O documento também destacou que a máquina de tração “não atende à capacidade de peso de toda a estrutura e não atende às normas de segurança”, recomendando a substituição completa do equipamento.
Em janeiro deste ano, a Justiça chegou a determinar a troca dos elevadores do condomínio, mas a construtora recorreu da decisão, e o processo segue em andamento.
Após a queda, as vítimas ficaram presas no fosso do elevador. Moradores do condomínio conseguiram abrir a porta da cabine e iniciaram o resgate antes da chegada das equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Corpo de Bombeiros.
Em nota, a administração do condomínio afirmou que vem registrando problemas técnicos nos elevadores desde a entrega do empreendimento e informou que prestou toda a assistência necessária às vítimas e familiares.
Já a construtora declarou que a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum cabe ao condomínio após a entrega do prédio. A empresa afirmou ainda que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, mas não comentou diretamente as denúncias sobre falhas estruturais apontadas na ação judicial.
As circunstâncias do acidente seguem sendo investigadas pelas autoridades competentes.
Por Patos Online
Com informações do g1 PB
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