
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10/6), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 anos para 16 anos. O placar foi de 44 votos favoráveis e 18 contrários.
O próximo passo é a criação de uma comissão especial para análise da matéria. Caso seja aprovado no colegiado, o texto seguirá para plenário.
O deputado federal Coronel Assis (PL-MT), relator da proposta, retirou parte da PEC original da proposta e manteve a redução da maioridade apenas no âmbito penal, quando existe a responsabilização por crimes cometidos.
O texto original, do ex-deputado federal Gonzaga Patriota (PSB-PE), propunha a antecipação da maioridade civil para 16 anos, isto é, a obrigatoriedade do voto nessa faixa etária e a redução da idade mínima para disputar cargos públicos.
O texto foi apensado a outras duas PECs: a nº 8/2026, que propunha a responsabilização penal de adolescentes em casos especiais, como crimes hediondos e de extrema crueldade, e a nº 9/2026, que visava a responsabilizar adolescentes de 12 e 16 anos em crimes graves, como homicídios e delitos cometidos com violência ou grave ameaça.
Embora tenha considerado as três propostas admissíveis, o relator manifestou sua preferência pessoal por um modelo semelhante ao aprovado pela Câmara em 2015, durante a tramitação da PEC nº 171/1993. Porém, isso ficará para o debate na comissão especial.
A PEC aprovada naquele ano pela Câmara mantinha a inimputabilidade penal como regra, mas alterava a maioridade para 16 anos somente aos envolvidos em crimes hediondos, homicídio doloso (quando há intenção de matar) e lesão corporal seguida de morte.
A redução da maioridade penal é uma bandeira histórica da direita brasileira. A PEC contou com o apoio do PL, do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ). O PP e o União Brasil também orientaram a favor da proposta.
Antes do início da votação, a base do governo tentou obstruir os trabalhos. Enquanto membros da direita afirmavam que havia um acordo para liberar a matéria, o PT negou. O Psol chegou a apresentar um requerimento de retirada de pauta, mas foi derrotado.
Os deputados governistas Patrus Ananias (PT-MG) e Talíria Petrone (Psol-RJ) apresentaram votos em separado contra a matéria.
A parlamentar psolista argumenta que diminuir a maioridade penal para 16 anos significa reduzir “severamente o núcleo fundamental de todos os direitos fundamentais”, tais como o direito à liberdade e ao devido processo legal, direito à dignidade da pessoa humana e direito ao livre desenvolvimento da personalidade.
Durante a leitura do parecer, o deputado federal Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) afirmou que a PEC não resolve os indicadores de segurança pública.
“Não há um indicador que nos ajude no sentido de que reduzir a maioridade penal vai melhorar os indicadores de segurança e proteger a vida das pessoas. Não há evidência para isso. Essa PEC não resolve o problema”, disse.
Já o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) sustentou que a redução da maioridade penal poderia mirar jovens pretos e moradores de periferias.
O avanço da proposta fez parte de um acordo costurado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A redução da maioridade estava inclusa no substitutivo da PEC da Segurança Pública.
O então relator, Mendonça Filho (PL-PE), queria a realização de um plebiscito para reduzir a maioridade penal, mas aceitou tirar o trecho do texto final após apelo dos líderes partidários.
Fonte: Metrópoles
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