
A menos de dois meses para o 1º turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) já protagonizam uma das campanhas eleitorais mais acirradas na corrida ao Palácio do Planalto dos últimos anos.
No comparativo com os pleitos de 2018 e 2022, quando pelo menos um dos presidenciáveis chegava à reta final do ano eleitoral com ampla vantagem nas pesquisas, o cenário de 2026 se mostra mais equilibrado.
Ao longo do ano, Lula e Flávio chegaram a oscilar na liderança em diferentes levantamentos e apareceram tecnicamente empatados na maioria das pesquisas que testaram um eventual segundo turno.
Os resultados mais recentes, embora mantenham o petista numericamente à frente, mostram uma distância menor entre os dois do que a registrada por Lula contra Jair Bolsonaro (PL) no mesmo período de 2022.
Levantamentos nacionais divulgados nas últimas semanas mostram Lula à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, mas com diferenças que variam de cerca de três a nove pontos percentuais.
Na pesquisa Quaest divulgada nessa sexta-feira (14/8), a mais recente a medir a disputa presidencial, Lula aparece com 43% das intenções de voto em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que registrou 40%. A diferença de três pontos está dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, o que configura empate técnico.
Em 2022, na pesquisa do mesmo instituto divulgada em 17 de agosto, Lula tinha 51% contra 38% de Bolsonaro, uma vantagem de 13 pontos percentuais.
O Datafolha divulgado em 24 de julho também apontou uma distância menor entre Lula e Flávio. O petista tinha 48%, contra 43% do senador, diferença de cinco pontos. No levantamento do instituto realizado em julho de 2022, Lula aparecia com 55%, ante 35% de Bolsonaro — uma vantagem de 20 pontos.
Na pesquisa CNT/MDA divulgada em 11 de agosto, Lula registrou 48%, contra 39,1% de Flávio, diferença de 8,9 pontos. No levantamento realizado pelo instituto em agosto de 2022, Lula tinha 50,1%, contra 38,8% de Bolsonaro, diferença de 11,3 pontos.
Quaest
Datafolha
CNT/MDA
Os três institutos mostram uma distância menor entre os candidatos em 2026 do que nos levantamentos correspondentes de 2022. A diferença é de apenas três pontos na pesquisa mais recente, da Quaest, e chega a 8,9 pontos na CNT/MDA.
Apesar das vantagens maiores registradas nas pesquisas de 2022, a eleição daquele ano terminou como a mais acirrada da história do país. Lula venceu Bolsonaro por 50,9% a 49,1% dos votos válidos, uma diferença de 1,8 ponto percentual.
O resultado mostra que uma vantagem maior nas pesquisas durante a campanha não necessariamente se traduz em uma vitória folgada nas urnas. Em 2022, a distância entre Lula e Bolsonaro diminuiu significativamente até o segundo turno, quando o petista saiu vitorioso.
Em 2018, o cenário também apresentava diferenças mais acentuadas entre os principais candidatos, embora a configuração da disputa fosse diferente da atual. Lula, então preso após ser condenado na Operação Lava Jato, liderava as pesquisas de intenção de voto.
A candidatura do petista, contudo, foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Fernando Haddad (PT) assumiu a chapa na reta final da campanha.
Em pesquisa Datafolha divulgada em 16 de julho de 2018, Jair Bolsonaro aparecia à frente de Haddad em um eventual segundo turno, com 38% contra 29%, uma vantagem de nove pontos percentuais.
O mesmo levantamento testou ainda um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Nesse cenário, o petista aparecia com 52%, contra 32% do então candidato do PSL — diferença de 20 pontos percentuais.
Os resultados mostram que, embora a eleição de 2018 tenha sido marcada pela polarização entre petismo e bolsonarismo, havia vantagens mais amplas entre os candidatos nos cenários testados pelas pesquisas.
Bolsonaro foi eleito no segundo turno, com 55,13% dos votos válidos, contra 44,87% de Haddad. A vitória encerrou um ciclo de quatro eleições presidenciais consecutivas vencidas pelo PT.
Fonte: Metrópoles
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