
A base aliada do governo no Senado articula votar os dois turnos da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública no mesmo dia. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou a votação para a próxima terça-feira (3).
A ideia dos governistas é aprovar um calendário especial para quebrar o interstício (intervalo) entre os turnos, assim como foi feito com a PEC do fim da escala de trabalho 6x1. Sem o mecanismo, o regimento do Senado estabelece que a segunda rodada de votação seja realizada em cinco dias úteis e três sessões após a primeira.
A PEC da Segurança estava na pauta do Senado em 15 de outubro, mas foi retirada por Alcolumbre após um impasse entre o governo e a oposição sobre a redução da maioridade penal.
O governo se diz a favor da redução, mas quer tratar do tema em uma proposta separada. Isso porque, se houver alteração no texto, a PEC deve precisar voltar para uma nova análise na Câmara dos Deputados. O atraso no cronograma poder impactar a proposta anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de criar do Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC.
A divergência começou quando o texto chegou ao plenário do Senado, depois de aprovado sem mudanças na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O tema da maioridade penal já havia sido retirado da proposta na Câmara dos Deputados, pelo relator Mendonça Filho (PL-PE), em um acordo entre as lideranças para que fosse tratado separadamente.
No Senado, a oposição apresentou uma emenda que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos na para todos os crimes e para 14 anos para os hediondos. A emenda é de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) e foi assinada por outros parlamentares, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O líder do PL, Carlos Portinho (RJ), apresentou um destaque para que a emenda seja votada em separado.
O governo afirma ter os votos necessários para rejeitar a emenda da oposição. Se isso se concretizar, o texto da PEC sem a redução da maioridade seguirá para voto em plenário. Se for aprovado nos dois turnos, o texto vai para promulgação.
A direita reiterou o desejo de votar a PEC na terça-feira e insiste na emenda sobre a redução da maioridade penal.
"A escalada da violência amedronta a família brasileira. Defendo a manutenção da emenda porque está em sintonia com o que pensa a maioria da sociedade, que quer mais rigor no combate às facções e ao crime organizado", afirma o senador Efraim Filho (PL-PB).
"Não dá para dizer que um jovem, aos 17 anos, não tem discernimento entre o certo e o errado. Que, quando puxa o gatilho para tirar a vida de um pai, uma mãe ou de um outro jovem, não sabe o que está fazendo."
A PEC da Segurança prevê mecanismos de integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios, incluindo forças-tarefa conjuntas, compartilhamento de informações e provas e integração de sistemas. O texto também amplia as atribuições da PRF (Polícia Rodoviária Federal), que poderá atuar no policiamento de ferrovias e hidrovias federais.
A PEC prevê regras mais rigorosas para líderes e integrantes de facções criminosas, organizações paramilitares e milícias, com medidas relacionadas à posição hierárquica dos envolvidos.
Entre as medidas previstas estão regras específicas para o cumprimento de penas, restrições à progressão de regime e a benefícios processuais, possibilidade de confisco de bens ligados à atividade criminosa e responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas. O texto também prevê proteção a denunciantes e familiares.
A proposta inclui ainda direitos das vítimas na Constituição, como proteção, informação, assistência, acesso à Justiça e participação no processo penal, com atenção especial às mulheres.
Na tentativa de contornar o impasse, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), chegou a propor uma emenda alternativa, que reduziria a maioridade para 16 anos apenas em crimes hediondos. O governo, no entanto, defende que o tema seja discutido em uma PEC separada.
A discussão sobre a maioridade penal dividiu integrantes do PT. Uma ala entende que é estratégico pautar uma proposta que tem apoio popular. Pesquisa Datafolha de junho de 2026 indica que 79% dos brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal, enquanto 17% são contra, 3% não sabem e 1% são indiferentes.
Já uma outra parte defende a posição histórica do Partido dos Trabalhadores, contrário à diminuição da idade para jovens que cometem crimes.
Fonte: CNN Brasil
POLÍTICA Sem pressa para 4º mandato, Lula adia definição de nomes para ministérios
ELEIÇÕES 2026 Reportagem da CNN aponta que PL deve apoiar reeleição de Hugo na Câmara e insistirá em aliado no Senado
LULA 4 Metrópoles aponta Nabor Wanderley como alternativa para compor eventual 4º mandato de Lula
SOB INVESTIGAÇÃO MP investiga suspeitas de irregularidades em contratos da Prefeitura de Imaculada com empresa fornecedora
ECONOMIA Ibovespa encerra semana pós-eleição com perda de 18%; dólar vai a R$ 5,44
CULTURA Escritor de 12 anos lança livro em cordel sobre Inácio da Catingueira na terra do poeta
EDUCAÇÃO Servidores da Secretaria de Educação de Malta realizam visita técnica a Cruz, no Ceará, referência nacional em educação
NOS EUA Assessor ligado à Casa Branca confirma que providenciou avião usado por Flávio Bolsonaro, revela The New York Times
POLÍTICA Chefe de Gabinete da Prefeitura de Cacimba de Areia anuncia pré-candidatura a vereador pelo município Mín. 24° Máx. 38°