
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento preventivo de 90 dias do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O magistrado afirmou ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” da Polícia Federal por mais de 30 dias.
Na decisão, Mendonça convocou sessão virtual para referendar o afastamento de Andrei e do delegado federal Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da PF. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tinha até as 23h59 desta terça, mas formou maioria em favor do relator ainda nesta manhã.
Os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam seus votos e acompanharam integralmente a decisão de Mendonça. Antes da maioria, o decano Gilmar Mendes havia pedido vista no julgamento. Ainda falta o voto do ministro Dias Toffoli.
A medida ocorre em meio aos desdobramentos das investigações relacionadas ao caso do Banco Master. O nome de Andrei Rodrigues surgiu em mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Master.
Segundo Mendonça, a medida é necessária para que os integrantes da Corte, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e os servidores da Polícia Federal “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.
O ministro determinou também a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.
De acordo com a decisão, o diretor-geral da PF encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, ao menos seis “relatórios de inteligência” produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026.
“A par de existirem outras questões em torno das inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes na conduta do senhor Andrei Augusto Passos Rodrigues, a superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”, escreveu Mendonça.
A peça aponta que o próprio André estava sendo monitorado ilicitamente por parte da inteligência policial há mais de 30 dias.
Uma troca de mensagens entre o dono do Master e o ministro do STF Alexandre de Moraes indica que o banqueiro pediu que o magistrado tentasse reverter as investigações sobre a instituição financeira junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu o empresário a Moraes em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso pela primeira vez.
Mendonça convocou sessão virtual para referendar a decisão que afastou Andrei e Leandro. A Segunda Turma do STF julga, entre as 10h e as 23h59 desta terça-feira (8/9), a decisão do ministro André Mendonça de determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF) e do diretor de Inteligência Policial da corporação.
Mendonça pediu a convocação de sessão virtual extraordinária especificamente para o referendo da medida cautelar. A Segunda Turma é formada pelos seguintes ministros: Luiz Fux (presidente), Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça.
Na decisão submetida à Segunda Turma, Mendonça também determinou que a Corregedoria da PF abra investigações de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar a produção de relatórios de inteligência.
O ministro ordenou ainda a suspensão da elaboração e do compartilhamento, mesmo internamente, de documentos de inteligência destinados a analisar atos praticados por integrantes do Judiciário, da Advocacia Pública e da polícia judiciária.
O Partido Novo havia pedido inicialmente o afastamento cautelar de Andrei e, posteriormente, a prisão preventiva. A legenda baseou os pedidos, entre outros elementos, em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, nas quais havia referências a “Andrei”, identificado pela PF como sendo o diretor-geral da instituição.
Fonte: Manoela Ancântara/Metrópoles
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