CLEVER
Sábado, 26 de Setembro de 2026
UNIFIP
Banner CCAA
Banner Dr Paulo Arnon
Banner Dr Yuri
Política FIM DAS BETS

Lula assina MP e caso agora vai ao Congresso. Veja prazos

Medida proíbe apostas esportivas e jogos on-line, tira sites do ar em 10 dias e ainda terá de passar pela Câmara e pelo Senado

26/09/2026 às 13h30
Por: Higor Oliveira Fonte: Metrópoles
Compartilhe:
Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

A pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu uma das principais promessas da campanha deste ano e determinou, por meio de uma medida provisória assinada na sexta-feira (25/9), a proibição das apostas on-line, as bets, em todo Brasil.

Continua após a publicidade
Cultura Patos

A MP tem força de lei e já está em vigor — no momento, as plataformas de apostas on-line já estão proibidas de operar e seus sites só ficarão disponíveis para apostadores realizarem o resgate do saldo remanescente até as 23h59 do dia 5 de outubro, quando devem sair do ar.

No entanto, o presidente Lula ainda vai precisar do aval do Congresso Nacional para que a proibição das bets permaneça válida. As duas casas legislativas têm até 120 dias para aprovar a medida do governo e, se não o fizerem, a determinação perde validade.

A MP nº 1.394, publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite de sexta, registra a mensagem presidencial de encaminhamento do texto ao Congresso. No entanto, o Metrópoles apurou que a medida ainda não havia sido formalmente enviada ao Legislativo até a publicação desta reportagem.

Continua após a publicidade
Banner Guimaraes Oticas

Quando for formalmente recebido, o texto deverá passar primeiro por uma comissão mista de deputados e senadores. Depois, seguirá para os plenários da Câmara e do Senado, nessa ordem.

A MP de Lula proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos on-line, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.

As empresas já estão impedidas de receber novos depósitos desde a publicação da MP. Apostas que ainda não tiverem resultado definido serão canceladas, com devolução integral do dinheiro, enquanto as autorizações atualmente em vigor serão extintas em 30 dias.

Continua após a publicidade
Banner Avelloz Interno

Depois do anúncio, Lula reforçou a importância da ação para o Brasil. “A sociedade ficou absolutamente desprotegida. Este país trouxe o cassino para dentro de casa. O cassino está na cozinha, está na sala, está com o idoso, está com a criança. É preciso ter um controle”, disse. “Isso [apostas] é como um câncer. Ou a gente tira o tumor, ou esse tumor vai matar a gente.”

Além de vedar jogos on-line, a medida proíbe cassinos virtuais, como o Jogo do Tigrinho.

Prazos para o fim das bets

  • Vigência: já está proibido fazer apostas on-line e realizar novas publicidades sobre bets;
  • 23h59 de 5 de outubro: prazo para apostadores retirarem saldos das plataformas; retirada de todas ações de publicidade de bets, em meios físicos e digitais;
  • 6 de outubro: sites e aplicativos saem do ar;
  • Entre 7 e 8 de outubro: bets devem informar aos bancos os valores que estão nas contas, por CPF;
  • Entre 9 e 14 de outubro: devolução integral dos saldos, por meio dos bancos;
  • A partir do dia 14 de outubro: em caso de impedimento, a Caixa intermediará a devolução dos valores.

Como será o fim das bets

Além de bloquear novos depósitos, a MP obriga as empresas a garantir recursos suficientes para devolver saldos, apostas canceladas e prêmios já devidos. Depois de retirar os sites do ar, as operadoras terão dois dias para informar aos bancos quem tem dinheiro a receber e os respectivos valores.

As instituições financeiras terão, então, sete dias para realizar os pagamentos.

Valores que não puderem ser devolvidos diretamente serão transferidos para uma conta específica na Caixa Econômica Federal. A MP também impede novas autorizações e encerra, em 30 dias, as licenças já concedidas pela União, pelos estados e pelo Distrito Federal.

O texto determina que as empresas não terão direito à devolução dos valores pagos pela outorga nem à indenização do poder público.

Publicidade, propaganda, marketing e patrocínio de bets também ficam proibidos. Materiais já instalados ou publicados terão de ser retirados em até 10 dias.

Bancos e instituições de pagamento, por sua vez, não poderão processar transações destinadas a apostas, salvo as necessárias para encerrar as operações e devolver dinheiro aos clientes. O governo também poderá determinar o bloqueio dos sites que insistirem em oferecer apostas.

A MP cria ainda um comitê coordenado pela Casa Civil para articular a fiscalização e prevê a atuação conjunta de órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


A novela das bets no Congresso

O novo texto extingue um modelo que o próprio Congresso construiu ao longo dos últimos anos:

  • 2018: o Congresso aprovou a criação das apostas de quota fixa, transformada na Lei nº 13.756. A norma autorizou apostas esportivas e deu ao governo prazo para regulamentar o mercado, o que não foi feito durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL);
  • 2023: o governo Lula enviou ao Congresso uma regulamentação. A Câmara aprovou o PL nº 3.626, com tributação, outorga e regras para empresas e apostadores;
  • Dezembro de 2023: o Senado aprovou o projeto, mas retirou do texto os jogos de cassino on-line. A decisão ocorreu após resistência de senadores, que criticaram a ampliação da oferta de jogos no país;
  • Dias depois: a Câmara rejeitou essa alteração e restabeleceu a autorização para eventos virtuais de jogos on-line. A bancada evangélica obstruiu a votação e argumentou que os danos sociais do jogo superariam a arrecadação prevista;
  • Fim de 2023: Lula sancionou a Lei nº 14.790, que passou a organizar o mercado. Desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podem operar nacionalmente;
  • Agora: a MP nº 1.394 revoga grande parte desse marco regulatório e determina a extinção das apostas de quota fixa no país.

Críticas ao fim das apostas

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o momento escolhido por Lula para apresentar a medida e acusou o presidente de tentar explorar eleitoralmente um mercado que foi regulamentado durante o atual governo.

“Ele é um oportunista. Isso é o governo do PT: ferra com a vida das pessoas e agora, na véspera da eleição, vem com politicagem. Lula cria o problema, vem com a solução fajuta e, ainda por cima, pode deixar de valer logo depois das eleições”, afirmou.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) também criticaram a proibição. As entidades dizem que a decisão pode ampliar o mercado clandestino e gerar prejuízos para empresas que passaram a operar sob as regras criadas pelo próprio governo.

A ANJL disse que vai recorrer à Justiça para tentar reverter a proibição e estima que mais de 30 milhões de apostadores possam migrar para plataformas ilegais. O IBJR, por sua vez, afirmou que o fim do mercado autorizado rompe com o modelo regulatório adotado pelo país e pode comprometer arrecadação, investimentos e mecanismos de proteção aos usuários.

Ainda segundo a ANJL, empresas do setor já começaram a discutir as medidas judiciais contra a proibição. A entidade também estuda pedidos de ressarcimento pelos valores pagos para operar legalmente no Brasil e pelos investimentos realizados desde a regulamentação.

As entidades também calculam em pelo menos R$ 2,55 bilhões o valor envolvido apenas no pagamento de outorga. Cada autorização custou R$ 30 milhões e tinha validade de cinco anos, e 85 empresas pagaram a taxa para operar no Brasil.

Clubes de futebol também pressionam contra a proibição. Ao total, 14 dos 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro são patrocinados por alguma casa de aposta; somente seis não possuem acordo com setores do meio, são eles: Bahia, Mirassol, Athletico-PR, Bragantino, Internacional e Coritiba.

O presidente do Flamengo, Eduardo Baptista, afirmou ao Metrópoles que a proibição pode ter um impacto gigantesco aos clubes.

“Eu estimo que o ecossistema do futebol pode perder de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões no ano que vem. Isso, num período tão curto… Importante dizer que a maioria das empresas estão fazendo o seu orçamento para o ano que vem agora. Uma decisão dessas agora faz com que a gente perca, de alguma maneira, esse dinheiro que estava previsto. O impacto para os próximos dois anos será totalmente material para o futebol brasileiro”, disse o gestor.

Fonte: Metrópoles

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Patos, PB Atualizado às 13h01 - Fonte: ClimaTempo
36°
Tempo limpo

Mín. 22° Máx. 37°

Dom 37°C 22°C
Seg 35°C 23°C
Ter 36°C 22°C
Qua 37°C 23°C
Qui 36°C 22°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes
RR Madeiras