
Ao longo da campanha para deputada federal, Érika Von Sohsten percorreu diferentes regiões da Paraíba e afirma ter levado para além dos discursos políticos uma experiência que, segundo ela, marcou profundamente sua trajetória: ouvir mulheres sobre suas histórias, seus medos e as dificuldades encontradas para transformar direitos previstos em lei em proteção efetiva.
“Eu caminhei pela Paraíba. Ouvi mulheres na capital, no Brejo, no interior, no Sertão. E depois de tantas histórias, eu voltei com uma certeza dolorosa: o Brasil não precisa apenas de leis que protejam as mulheres. Precisa fazer com que essas leis cheguem até elas”, afirmou.
A partir dessas conversas, Érika passou a destacar uma questão que considera central no debate sobre violência contra a mulher: a diferença entre a existência de uma legislação e a capacidade do Estado de fazê-la funcionar na vida concreta. A candidata cita o conceito de legislação simbólica, utilizado no campo do Direito para descrever normas que produzem reconhecimento político e social de determinado problema, mas cuja aplicação pode não alcançar plenamente a realidade.
Na avaliação apresentada por Érika, a Lei Maria da Penha representa uma conquista histórica, mas sua efetividade depende de uma rede capaz de oferecer atendimento especializado, assistência social, saúde, segurança, Justiça, acolhimento e condições para que a mulher consiga romper o ciclo de violência.
“Mas caminhando pela Paraíba eu encontrei outra realidade. Encontrei mulheres com medo. Medo do agressor. Medo de denunciar. Medo até do que acontecerá depois da denúncia. Mulheres que não encontram perto de casa toda a estrutura que a lei lhes prometeu”, relatou.
Érika sustenta que o problema não termina no momento da denúncia ou na concessão de uma medida protetiva. Para ela, a proteção precisa considerar as condições concretas para que a mulher consiga reconstruir a própria vida, especialmente quando há filhos, dependência econômica, ausência de moradia ou necessidade de afastamento do ambiente de violência.
“Não basta dizer a uma mulher: ‘denuncie’. É preciso responder: e depois da denúncia, para onde ela vai? Onde ela vai morar? Como vai sustentar os filhos? Quem vai reconstruir com ela a autonomia que a violência destruiu? Quem estará ao lado dela quando o medo chegar?”, questionou.
A candidata também chamou atenção para uma dimensão menos visível da violência. Segundo ela, antes mesmo da agressão física, muitas mulheres atravessam períodos prolongados de medo, humilhação, isolamento, ameaça e destruição da autoestima.
“Porque uma mulher submetida durante anos à violência, muitas vezes, já começou a morrer por dentro muito antes da primeira agressão física. Antes da marca no corpo vieram o medo, a humilhação, o isolamento, a ameaça, a destruição da autoestima”, afirmou.
Ao fazer um balanço da campanha, Érika relacionou essa experiência de escuta à necessidade de políticas públicas capazes de alcançar também as mulheres que vivem fora dos grandes centros. Entre as medidas que defende estão orçamento para o funcionamento da rede de proteção, ampliação da estrutura no interior e políticas de autonomia, incluindo mecanismos de proteção habitacional que permitam às vítimas ganhar tempo e condições para reconstruir suas vidas.
“Eu não quero mais uma legislação que apenas diga às mulheres que elas estão protegidas. Eu quero um Estado que esteja lá quando elas precisarem dessa proteção”, declarou.
Para Érika, a principal marca deixada pela campanha não está apenas nas cidades percorridas, mas nas histórias que ouviu durante o caminho. A candidata encerra sua mensagem defendendo que a discussão sobre violência contra a mulher precisa ultrapassar a produção de novas normas e alcançar orçamento, estrutura, fiscalização e presença efetiva do poder público.
“A lei precisa sair do papel e tornar-se realidade”, resumiu.
Por Assessoria
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