
Em meio à problemas financeiros e atraso nos pagamentos, a SAF do Botafogo-PB também vive uma rotina conturbada no meio judicial. Conforme apurou o ge, o sociedade anônima possui 16 ações trabalhistas em aberto no Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região. Os valores atribuídos às causas somam R$ 5,7 milhões e envolvem jogadores, ex-integrantes de comissão técnica, ex-técnicos e funcionários.
Entre os processos trabalhistas de maior valor estão os de Lisca, ex-técnico do clube, com R$ 1,4 milhão; Gabriel Tota, com R$ 1,2 milhão; Romarinho, com R$ 860 mil; Marcio Hahn, integrante da comissão técnica de Lisca, com R$ 450 mil; Evaristo Piza, com R$ 313 mil; e Jonas Neves, também da comissão de Lisca, com R$ 306 mil.
Os processos estão em diferentes estágios. Há ações que ainda terão audiência, outras em fase de execução e também casos que estão suspensos temporariamente. É importante ressaltar que o valor atribuído a cada processo é uma estimativa e não representa, necessariamente, o montante que será efetivamente pago pelo clube.
Entre as principais cobranças estão verbas rescisórias, FGTS, multas trabalhistas, horas extras, diferenças salariais, reconhecimento de vínculo, indenizações por danos moral e material e pedidos de rescisão indireta.
Um dos casos de maior valor é o do atacante Gabriel Tota, que cobra R$ 1,22 milhão da Botafogo-PB SAF. No processo, estão incluídos pedidos relacionados a salários, 13º, férias, FGTS, verbas rescisórias e indenização pela rescisão antecipada do contrato.
A Justiça concedeu uma decisão provisória que permitiu ao jogador ser liberado do vínculo com a SAF e assinar com outro clube. O entendimento considerou haver indícios de descumprimento contratual por parte do Botafogo-PB.
Outro processo de grande valor é o de Romarinho, com valor de causa de R$ 860 mil. O jogador cobra, entre outros pontos, valores relacionados à rescisão indireta e ao FGTS.
Em despacho publicado em 1º de outubro, a Justiça determinou que o Botafogo-PB pagasse, em 48 horas, o valor apontado no cálculo do processo. Como o pagamento não foi realizado, foram determinadas medidas de execução já previstas anteriormente.
A passagem de Lisca pelo clube também aparece em outros processos. Marcio Hahn, integrante da comissão técnica do treinador, cobra R$ 450 mil em uma ação que tem como principal pedido o pagamento de horas extras. A audiência está marcada para novembro.
Jonas Neves, também integrante da comissão, tem uma ação de R$ 306 mil, que envolve verbas rescisórias, FGTS, multa de 40% do FGTS e indenização por dano moral. Já Everaldo Santana, preparador de goleiros da comissão, tem uma ação de R$ 267 mil.
O próprio Lisca é autor do processo de maior valor entre os levantados. A ação é de R$ 1,4 milhão e envolve verbas rescisórias, FGTS, multa de 40% do FGTS e indenização por dano moral. O processo está suspenso temporariamente.
O ex-técnico Evaristo Piza também move ação contra a SAF, com valor de R$ 313 mil. O processo envolve, entre outros pedidos, FGTS, férias proporcionais, 13º salário proporcional, multas trabalhistas e premiação.
Felipe Azevedo aparece com uma ação de R$ 228,4 mil, enquanto o ex-lateral do Belo, Lucas Lopes, tem processo de R$ 29,2 mil, ainda com audiência prevista.
— Infelizmente o que eu acordei com o clube, ele não cumpriu. Não posso mentir, não tenho mágoa de ninguém. Fui lá e fiz o meu melhor, a gente foi campeão paraibano e tentei ajudar no começo da Série C que tava difícil. Mas infelizmente o clube não cumpriu, vida que segue e não guardo mágoa de ninguém, tenho certeza que isso será resolvido logo — declarou Felipe Azevedo nas redes.
O caso de Fausto Momente , ex-gerente, teve acordo entre as partes. O valor da ação era de R$ 176,7 mil, mas a associação do Botafogo-PB e a SAF concordaram em pagar R$ 65 mil ao reclamante.
Pelo acordo, R$ 35 mil ficaram sob responsabilidade do Botafogo Futebol Clube e R$ 30 mil da Botafogo-PB SAF, mas está temporariamente pausado. O levantamento também encontrou processos movidos por funcionários. Somados, os valores chegam aos 448 mil.
Apesar do valor expressivo, os R$ 5,7 milhões não podem ser tratados como uma dívida trabalhista já reconhecida pela SAF do Botafogo-PB. Os valores atribuídos podem sofrer alterações durante o andamento das ações.
Em contato com o ge, o investidor da SAF do Botafogo-PB, Fillipe Félix, informou que a Sociedade Anônima de Futebol do Belo já pagou 4,5 milhões de Regime Centralizado de Execuções (RCE), ferramenta que permite a um clube ou empresa reunir todas as suas dívidas (trabalhistas ou cíveis) em um único juízo para pagamento de forma ordenada.
Ele ainda declarou que os pagamentos são realizados "em dia" e que todos os acordos com jogadores são realizados de forma judicial, o que é normal no meio do futebol.
O levantamento do ge considera os 16 processos trabalhistas em aberto relacionados à Botafogo-PB SAF encontrados no TRT-13 e retrata a situação processual disponível até outubro de 2026.
Fonte: ge PB
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