
A Caixa Econômica Federal ordenou a execução de uma dívida de R$ 487 milhões que o Corinthians tem com o banco, por conta de financiamento das obras da Arena Corinthians, finalizada em 2014.
A informação foi inicialmente publicada pelo jornal O Globo, e depois confirmada pela Caixa e pelo próprio Timão.
O banco emprestou R$ 400 milhões ao clube paulista para as obras do estádio. Com correção monetária e juros, o valor da dívida hoje está em quase R$ 500 milhões.
Por meio de nota divulgada em seu site, o Corinthians se disse "surpreendido" com a cobrança, tratou a execução como um "gesto intempestivo" e afirmou que "se a Caixa escolheu trocar a rota da negociação pela do confronto, não cabe ao clube outro recurso senão defender na Justiça seus direitos".
O presidente do banco estatal, porém, negou que haja "perseguição" à equipe alvinegra e tratou o fato como "natural".
"Não há nenhum beneficio ou 'perseguição'. Mas se a Caixa não recebe e não tem renegociação, ocorre a cobrança de garantias. A execução é natural", salientou Pedro Guimarães ao O Globo.
Vale lembrar que o Corinthians deu parte do terreno do Parque São Jorge para conseguir o financiamento da Arena Corinthians com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), usando a Caixa como intermediária.
O Sport Club Corinthians Paulista informa que enquanto finalizava negociações com a Caixa para um reperfilamento do financiamento da Arena – processo iniciado nos primeiros dias da atual gestão — foi surpreendido por uma notificação extrajudicial alegando que diversos procedimentos prescritos pelo atual contrato não estariam sendo cumpridos.
Esta mudança de atitude não encontra respaldo na realidade dos fatos. Um acordo preliminar de adequação do contrato ao fluxo de caixa efetivo da Arena havia sido negociado há quase um ano, mas ficou suspenso pela perspectiva da iminente troca de comando da Instituição, à espera da orientação da nova gestão. Desde então, os compromissos vinham sendo honrados, como se os termos do acordo preliminar estivessem vigendo.
Além dos ajustes financeiros, a Caixa requeria a implantação de procedimentos administrativos com os quais o clube esteve sempre de acordo e cuja implementação dependia, como depende, de procedimentos dentro da Caixa até hoje não especificados definitivamente.
Assim, tanto no plano financeiro como no administrativo, o clube sempre se pautou por total transparência quanto à sua atuação operacional e subordinação inconteste a um processo de pagamentos compatível com a realidade financeira do mercado esportivo atual.
Como não houve interrupção do diálogo e tudo caminhava para um acordo mutuamente vantajoso, não há como compreender o gesto intempestivo, que sequer foi previamente comunicado à agremiação.
Ao contrário de inúmeras outras arenas que receberam da mesma linha de financiamento, o clube nunca repudiou sua dívida nem deixou de dialogar com o repassador destes recursos, a CEF, quando dificuldades transitórias se interpunham. Se a CEF escolheu trocar a rota da negociação pela do confronto, não cabe ao clube outro recurso senão defender na Justiça seus direitos.
O clube continua aberto a voltar à mesa de negociação, se a Caixa optar por prosseguir a trajetória amigável que juntos vínhamos construindo até aqui.
ESPN.com.br
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