“Fui pega com 14 quilos de crack, me envolvi por amor. Quando me dei conta já estava recebendo dinheiro, depositando até R$ 80 mil por semana e indo buscar droga em Natal (RN). Cheguei a trazer pra João Pessoa até 80 quilos de crack de uma só vez. Guardava a droga na minha casa. E guardaria até mais. Pois, quando a gente ama, a gente faz loucuras”. O depoimento é da potiguar “Karol”, 24 anos, uma das 240 detentas que estão presas no Centro de Reeducação Feminino Maria Júlia Maranhão, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa.
A menos de um mês do Dia dos Namorados, detentas revelam que por amor, entraram no crime. Elas se envolveram com chefes do tráfico e algumas acabaram assumindo os “negócios” dos companheiros. Quase 50% das detentas dessa penitenciária estão presas por tráfico de drogas e muitas delas por causa dos namorados e maridos. A maioria é jovem e tem entre 20 e 35 anos.
O secretário de Cidadania e Administração Penitenciária, Carlos Mangueira, disse que as mulheres já representam 5% da população carcerária da Paraíba. São cerca de 400 presas de um total de 8 mil apenados em todo Estado.
“A população carcerária é cada vez mais jovem e do sexo feminino. E a droga é o componente principal do crime. Pelo menos 50% das prisões de mulheres estão relacionadas com o tráfico de drogas”, informou.
Por trás das grades do presídio feminino Maria Júlia Maranhão, em João Pessoa, estão histórias de amor e de crimes. Vidas que foram transformadas por causa, principalmente, do tráfico de drogas.
Dentro das celas, personagens reais protagonizam histórias de arrependimento e desejo de dar um novo rumo à vida. Karol protagoniza uma história dramática. Ela se envolveu com um traficante de Natal (RN), com quem teve uma filha e viveu oito anos. Quando ele foi preso, a jovem assumiu os negócios do companheiro. Mas ela também acabou na prisão.
Paraibana de João Pessoa, “Amanda”, 21 anos, também carrega uma história dramática. “Me envolvi com ele e depois de seis meses, quando já estava apaixonada, descobri que ele era traficante”, revelou. Ela foi presa em junho do ano passado quando tentava entrar no presídio com comprimidos de Roupinol (“aranha”) dentro de um pacote de bolacha.
“A família dele queria que eu assumisse tudo sozinha, mas como não fiz, ele me abandonou. Meu sonho é mudar de vida, cuidar da minha filha e trabalhar. Muitas pessoas acham que não tem mais jeito quando saímos daqui. Mas quero que a sociedade me dê uma oportunidade de trabalho quando sair daqui”, revelou Amanda, desolada. Ela está fazendo um curso de depilação dentro do presídio.
A diretora do Centro de Reeducação Feminino Maria Júlia Maranhão, Susana Lima dos Santos, disse que muitas detentas que se envolvem com acusados de tráfico, assaltos e outros crimes têm desilusões amorosas após serem presas.
“Em muitos casos, o amor acaba na primeira audiência na Justiça, quando os companheiros exigem que elas assumam os crimes e a droga. Muitas mulheres que levam drogas e celulares nas partes íntimas ficam com problemas de miomas”, observou a diretora.
No presídio, as detentas fazem cursos e oficinas de confecção de bolsas, bijuterias, costura e depilação. “O objetivo é que elas saiam daqui com um curso profissionalizante e possam refazer suas vidas com seus filhos e longe do crime”, afirmou a diretora Susana Santos.
Por Henriqueta Santiago e Marcelo Rodrigo, do CORREIO
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