O Ministério Público Federal (MPF), através da Procuradoria Regional Eleitoral na Paraíba (PR/PB) e da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), divulgou, na tarde desta quarta-feira (27), nota de repúdio a manifestações de intolerância religiosa e racismo praticados nas eleições da Paraíba contra Ricardo Coutinho (PSB), candidato ao Governo do Estado pela coligação Uma Nova Paraíba.
Várias partes do Estado amanheceram hoje com milhares de panfletos que atrelam a imagem de Ricardo Coutinho com forças ocultas, utilizando uma foto do socialista em um encontro com lideranças do movimento negro no Estado ainda na época em que era prefeito de João Pessoa.
Ainda na manhã de hoje, o helicóptero responsável pela distribuição deste material foi fotogrado em Itaporanga, no Sertão do Estado, e identificado como sendo do deputado reeleito Wellington Roberto (PR). Além disso, vários adesivos de José Maranhão na aeronave comprovam a ligação entre o material apócrifo e o governador do Estado, que na tentativa de conquistar seu quarto mandato comete os atos que motivaram a nota de repúdio do MPF.
Dulciran Farena, procurador regional dos direitos do cidadão, garante que este tipo de manifestação afronta a Constituição Federal. “Em respeito à diversidade cultural e à tolerância, todas as candidaturas deveriam repudiar estes expedientes, e não só aquela vítima das identificações negativas. Essa campanha oculta reforça os estereótipos criados para inferiorizar minorias étnicas”, definiu.
Confira abaixo a nota de repúdio na íntegra.
NOTA DE REPÚDIO
O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF), através da Procuradoria Regional Eleitoral na Paraíba (PR/PB) e da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), vem a público repudiar manifestações de intolerância religiosa e racismo praticados no Estado, em relação às religiões de matriz africana, durante o segundo turno das eleições 2010.
Recentemente, circularam na Paraíba diversos materiais anônimos (em veículos de comunicação e espaços comunitários) desqualificando e desrespeitando as religiões de matriz africana, com a divulgação de imagens de pessoas associando-as ao culto de entidades demoníacas.
Expedientes dessa natureza distorcem a importância histórica e cultural das religiosidades negras, dos Babalorixás e Ialorixás, os quais são considerados guardiões e guardiãs da memória de povos africanos escravizados no Brasil. Cumpre ressaltar que 63% da população paraibana e mais de 50% do povo brasileiro é composto por negros e negras.
Além disso, tais manifestações tentam impor uma visão errônea de que a religião dos orixás é falsa, satânica e com prática restrita à população negra, difundindo, portanto, uma postura intolerante, discriminatória e racista, o que é inadmissível.
Investigações estão em curso para identificar os envolvidos na autoria e difusão desses materiais. O Ministério Público Federal solidariza-se com os ativistas na luta antirracista e que compõem grupos, núcleos, articulações e organizações negras na Paraíba, exigindo o respeito aos praticantes das religiões de matriz africana.
João Pessoa, 27 de outubro de 2010
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