Já faz quase um ano que os vereadores de Livramento travam na Justiça uma batalha por interesses próprios, deixando à margem a repercussão negativa da Casa Legislativa junto à opinião pública. Na eleição para composição da nova Mesa Diretora realizada na noite desta segunda-feira (30) o novo artifício na cédula de votação acabou por invalidar 6 dos 9 votos da Câmara e deu a vitória a vereadora Maria do Socorro Sousa Vieira, parlamentar aliada ao Governo Municipal.
A bancada de vereadores de situação, que há mais de um ano é minoria na Casa, tentou a todo custo permanecer na Presidência e em duas eleições protagonizaram situações que o fizeram eleger o presidente do Legislativo.
A primeira eleição, realizada em junho do ano passado, foi questionada na Justiça e o juiz Miranda dos Anjos determinou a anulação do pleito considerando-o ilegal. Na eleição de ontem, o plenário da Casa estava lotado e na presença de todos mais uma derrota foi imputada ao bloco majoritário da oposição.
A sessão
Mais de 200 pessoas acompanhavam atentos a movimentação dos vereadores e fora da Casa duas viaturas da Polícia Militar, além de guardas municipais aguardavam a hora de agir. Não demorou muito e mesmo com alguns questionamentos dos vereadores de oposição, o então presidente Flávio Leite colocou a Mesa Diretora em votação.
Na apuração e já na avaliação da primeira cédula, o voto foi anulado. Bastou isso para que o público tomasse conta da galeria da Câmara e com insultos e muita gritaria, interrompesse por 20 min a sessão.
Os vereadores de oposição revoltados chegaram a rasgar cédulas e jogar a urna de votação para o público. Após insultos e intervenção policial, os cinco vereadores oposicionistas se acalmaram e resolveram abandonar o plenário antes do fim da sessão.
O presidente Flávio Leite deu posse a nova presidente, a vereadora Maria do Socorro Sousa Vieira e a nova Mesa Diretora composta ainda pela vereador Joana Paula, Flávio Leite e Tânia Neli Campos.
Seis votos anulados
O De Olho no Cariri esteve presente a sessão e após sua realização apurou porque 6 dos 9 votos da Câmara de Livramento foram anulados.
Segundo justificou o então presidente Flávio Leite, os 6 vereadores assinaram o nome dos parlamentares de sua chapa em local errado, invalidando seus votos.
Os vereadores de oposição, ainda desacreditados da nova “manobra” (termo por eles utilizado) do ex-presidente, explicaram ter votado na chapa Justiça e Democracia por Livramento e acrescentado o nome de seus componentes como forma de assegurar a legitimidade de seus votos. Eles reclamam que Flávio Leite modificou o modelo da cédula de votação para atrapalhar o pleito e conseguir seu intento de permanecer no poder.
Na Justiça
Os vereadores de oposição confirmaram que entrarão novamente com ação judicial para anular a eleição e dizem que estão ainda mais estimulados a fazer justiça à população de Livramento.
“Nós somos cinco, eles são quatro. A maioria da população de Livramento está injustiçada com a sede de poder do grupo de situação”, destacou Rosa Marta, líder de oposição.
“Se eles quiserem podem questionar na justiça, nós somos minoria mas não podemos ser responsabilizados por eles não saberem votar segundo reza o regimento da Casa”, destacou Flávio Leite, ex-presidente da Câmara de Livramento.
De Olho no Cariri
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