O Senado Federal afastou do cargo, por 180 dias, a presidente da República, Dilma Rousseff. Foram 55 votos favoráveis ao afastamento contra 22 votos. Não houve nenhuma abstenção. Em sessão histórica, que começou às 10h da quarta-feira (11) e só terminou na madrugada da quinta-feira (12), os senadores votaram a admissibilidade do processo de impeachment, acatando parecer do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), relator do pedido na comissão especial.
A sessão extraordinária do Senado começou na manhã dessa quarta-feira (11), com uma hora de atraso. Dos 81 senadores, 69 se inscreveram para discursar. Os três senadores da bancada paraibana falaram. Cássio Cunha Lima (PSDB), José Maranhão e Raimundo Lira (PMDB) votaram em favor do prosseguimento do impeachment.
Dois outros paraibanos, que foram eleitos senadores por outros estados, votaram contra o impeachment. Ambos são do PT: Lindbergh Farias (RJ), que é natural de João Pessoa; e Fátima Bezerra (RN), nascida em Nova Palmeira (na região do Curimataú).
Para aprovar a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff seriam necessários metade mais um dos votos dos senadores presentes à sessão. No período de afastamento, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB) assume o comando do país.
A primeira senadora a falar foi Ana Amélia (PP-RS), favorável ao impedimento de Dilma. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) dividiu o dia em três sessões: das 9h às 12h; das 13h às 18h; e das 19h até o término da votação.
Depois que todos os senadores inscritos se pronunciaram, o relator da Comissão Especial do Impeachment, Antonio Anastasia (PSDB-MG), usou a palavra por 15 minutos. Em seguida, falou o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que defendeu Dilma, pelo mesmo tempo.
A votação foi pelo painel eletrônico com voto aberto dos senadores. Na sequência, o presidente proclamou o resultado, que tem de ser publicado nos diários do Senado e do Congresso. Dilma Rousseff será notificada ainda nesta quinta-feira (12) pelo primeiro-secretário do Senado, senador Vicentinho Alves (PR-TO).
A presidente decidiu exonerar sua equipe ministerial. Todos os ministros de Dilma deixarão os cargos, exceto o titular do Esporte, Ricardo Leyser – por causa dos Jogos Olímpicos Rio 2016 – e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, cargo cuja indicação precisa passar por sabatina.
Dilma gravou um pronunciamento, mas ele será divulgado apenas nas redes sociais. Temer fará seu primeiro discurso clamando pela unidade do país, falando dos desafios e anunciando suas primeiras medidas. Ele vai reafirmar apoio total à Operação Lava Jato. No Congresso Nacional, sua prioridade é a redução da meta fiscal.
Está marcada para esta quinta-feira à tarde a posse do ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução do Senado Federal. Ele presidirá a sessão em que será votada a cassação do mandato da presidente Dilma, ainda sem data marcada. Nela, serão necessários dois terços (54) do total dos 81 senadores.

Portal Correio
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