
O pai do bebê prematuro que morreu no dia 30 de maio na maternidade do Hospital do Edson Ramalho afirmou em entrevista à TV Cabo Branco que ainda está sem respostas sobre o corpo de seu filho. O bebê que se chamaria Miguel foi a óbito depois do parto e desde então a família sofre com a angústia e incerteza sobre o paradeiro do menino.
"Ninguém me dava uma reposta, não achava um responsável, e as pessoas pedindo para eu aguardar. Então, eles disseram 'estamos procurando o corpo do seu filho'. E aquilo ali tirou meu chão", relembra o pai sobre o dia em que descobriu que o corpo de Miguel desapareceu.
As identidades da família foram preservadas nesta cobertura. Conforme a mãe de Miguel, ainda em entrevista, a gestação foi prematura e teve parto normal realizado entre as semanas 23 e 24. O casal estava junto há um ano e pré-natal foi tranquilo, sem intercorrências. Até que ela deu entrada no hospital sentindo dores.
"Teve muita dor, muita dor. Aí pedi para ele me levar ao hospital. Quando cheguei na urgência, já gritando de dor, eles me colocaram na sala de pré-parto porque eu já estava começando a dilatar. Eu tive ele e o levaram de imediato. Alguns minutos depois me levaram para a sala de curetagem. Antes de ir para a enfermaria, eles me trouxeram Miguel e foi a última vez que eu vi ele", conta a mãe.
O bebê morreu com 23 minutos de vida por insuficiencia respiratória. Quando os pais da criança iniciaram os procedimento para a organização do enterro, descobriram que o corpo do bebê havia desaparecido no necrotério da maternidade.
No dia 1° de junho, o pai fez a certidão de óbito e foi em busca do corpo do bebê. "Cheguei no hospital com a equipe de funerária. Eles me conduziram até o necrotério e chegando lá, o corpo do Miguel não estava. Dois dias depois, simplesmente eles disseram que o corpo do Miguel poderia ter sido incinerado", conta.
De acordo com o advogado dos pais do bebê, Renato Dias, após um boletim de ocorrência ter sido realizado pelos pais do bebê no dia 1° de junho, eles foram contatados pela maternidade e direcionados para uma reunião solicitada pela diretoria do hospital no dia 3 do mesmo mês.
Mesmo após serem informados sobre a possível incineração, os pais da criança também não receberam nenhuma documentação que comprovasse o paradeiro do bebê. "A gente está nesse limbo e não podemos enterrar nosso filho", desabafa o pai.
Em nota, a direção do Hospital Edson Ramalho disse que abriu uma sindicância interna. Segundo a unidade, estão sendo ouvidos todos os envolvidos no caso, e reavaliando documentos oficiais e prontuários médicos dos pacientes para apurar o que aconteceu.
O advogado Renato Dias informa que existe uma investigação em curso e que uma ação ordinária foi distribuída nesta quinta-feira (22), em tramitação na 5ª Vara da Fazenda Pública, requerendo providências para o Ministério Público da Paraíba. A defesa dos pais da criança afirma ainda que vai requerer uma indenização.
Fonte: g1 PB
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