
Uma nova vítima do pediatra Fernando Cunha Lima, acusado de abuso sexual infantil, foi ouvida pela Polícia nesta terça-feira (3). A quadrinista Thaís Gualberto é sobrinha da esposa do médico. Segundo ela, o abuso aconteceu quando tinha 7 anos de idade. Hoje ela tem 38 anos.
Em entrevista à TV Cabo Branco, Thaís disse que denunciar depois de tanto tempo o abuso que sofreu para encorajar outras vítimas a fazer o mesmo. Ela prestou depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Infância e Juventude.
"É como se eu tivesse me libertado de um segredo muito antigo, mas eu acho que o mais importante é estar do lado das outras vítimas nesse momento. Por mais que o crime do qual fui vítima já tenha prescrito, é o que posso fazer para que outras vítimas se sintam um pouco mais seguras em denunciar", desabafou.
O médico pediatra investigado por estuprar crianças, em João Pessoa, atendia a maioria das vítimas desde bebês e tinha a confiança das famílias. Fernando Paredes Cunha Lima é um pediatra famoso na capital paraibana e tinha uma clínica particular no bairro de Tambauzinho.
Além da sobrinha da esposa de Fernando Cunha Lima, duas outras sobrinhas do médico pediatra também relataram ter sofrido abusos quando eram crianças. Porém, como o crime já prescreveu, elas vão atuar como testemunhas no processo.
Em uma série de depoimentos dados à Polícia Civil, as mães narram que os abusos aconteciam dentro do consultório, com as vítimas em cima de uma maca, quando o médico obstruía a visão delas ou fazia a ausculta do pulmão das crianças.
“A lembrança que eu tenho é de que tenha acontecido em 1993, quando eu tinha sete anos. A partir do momento em que eu descobri [o abuso do qual tinha sido vítima], eu tentei me convencer de que era coisa da minha cabeça, porque eu nunca perdi o contato com ele, já que era uma pessoa da minha família", revela a vítima, que é sobrinha da esposa de Fernando Cunha Lima.
Procurada pelo g1, a defesa de Fernando Cunha Lima informou que, por se tratar de um processo sigiloso, só se pronunciaria nos autos.
Em 26 de agosto de 2024, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o pediatra Fernando Paredes Cunha Lima, acusado de abuso sexual infantil, mas negou a prisão preventiva do médico, solicitada pela polícia.
De acordo com a decisão do juiz José Guedes Cavalcanti Neto, a prisão preventiva de Fernando Cunha Lima não foi aprovada porque as suspeitas levantadas contra ele se caracterizam como "indício suficiente de autoria" e, por se tratarem de indícios, não contam como provas concretas e aniquilam a representação por prisão preventiva.
Um novo inquérito policial foi aberto para investigar novas denúncias de estupro de vulnerável supostamente cometidas pelo pediatra Fernando Paredes Cunha Lima, acusado de abuso sexual infantil. Segundo o delegado Cristiano Santana, da Polícia Civil, o novo inquérito foi instaurado e está sendo finalizado para que novas informações sejam divulgadas.
Fonte: g1 PB
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