
“Lá no meu pé de serra
Deixei ficar meu coração
Ai que saudades tenho
Eu vou voltar pro meu sertão”
A música “No Meu Pé de Serra”, gravada por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira em 1947, é apenas uma das músicas que embalam os forrozeiros nas festas juninas do nordeste.
Uma manifestação cultural que nasceu nas noites estreladas da Serra do Araripe, que fica na divisa dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Por isso que batizaram-no de “pé-de-serra”, onde compositores buscam mostrar, através de suas canções, a tradição e identidade nordestina.
Com apenas uma sanfona, um zabumba e um triângulo, o trio pé-de-serra foi ganhando espaço e conquistando o Brasil. Seja no xote, xaxado ou baião, cada instrumento carrega consigo sua própria identidade.
No coração do trio está a sanfona, que pulsa a melodia e harmonia da música. O sanfoneiro que “puxa o fole” tem que ter habilidade para ditar também o ritmo da dança.
Já o zabumba, com o um som grave característico, entrega a base rítmica fundamental para os passos dos forrozeiros.
Por fim, e não menos importante, está o triângulo. Uma pequena estrutura metálica capaz de orientar o sanfoneiro e o zabumbeiro sobre o tempo musical.
Foi a partir do pé-de-serra que surgiram vários nomes da cultura nordestina. Na Paraíba podemos destacar Jackson do Pandeiro. Nascido em Alagoa Grande, ele começou tocando zabumba para, depois, se tornar um dos maiores ritmistas do Brasil. “Sebastiana” é um dos seus maiores hits.

Todo o legado musical de Jackson do Pandeiro, carregado por divisão melódica e rítmica singulares, lhe rendeu seguidores e admiradores por décadas a fio, até os dias atuais. Ele conquista o respeito de seus contemporâneos e se torna um ponto de referência para os que vieram depois.
Lá de Pernambuco surgiu Dominguinhos, que viajou pelo Nordeste carregando não apenas uma sanfona, mas toda uma vida dedicada à música. Filho de um afinador de sanfonas, o artista seguiu os passos do Rei do Baião, sua maior referência. Foi Gonzagão que o incentivou a usar o nome artístico “Dominguinhos” em homenagem a um sanfoneiro mineiro que havia sido seu mestre.

O pernambucano gravou diversos discos, compôs músicas populares e fez parcerias com artistas como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Chico Buarque e Anastácia. Ele recebeu o Grammy Latino em 2002, pelo álbum “Chegando de Mansinho”, e foi reconhecido como um dos maiores expoentes da música nordestina.
Também não podemos esquecer de Marinês, a primeira mulher a ter destaque nacional no forró. Com mais de 40 discos gravados, a paraibana, que iniciou a carreira como caloura na rádio local fez parcerias com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Ela cumpriu um papel importante na valorização feminina no forró tradicional.

Os anos se passaram e o forró evoluiu e outros instrumentos chegaram para fazer companhia à sanfona, zabumba e o triângulo, como por exemplo a bateria, a guitarra, o baixo e os metais.
No entanto, a raiz do gênero ainda ecoa nos arraiás Brasil afora. Como principal defensor desta bandeira podemos destacar Santanna, O Cantador. Em suas composições, o cearense aborda temas como o amor, a fé, o sertão, e a natureza humana.

Entre as principais músicas podemos destacar “Ana Maria”, “Tamborete de Forró” e “Xote da Saudade”, que embalam os forrozeiros nas noites juninas.
Para o forró, Santanna é considerado um embaixador da tradição junina e continua a divulgar sua música e a cultura nordestina, sendo um dos artistas mais respeitados no gênero.
Graças ao saudoso Luiz Gonzaga, responsável por popularizar o ritmo cantando histórias de amor, desencontros e de saudade, o pé-de-serra criou uma conexão profunda e duradoura com um público que atravessa gerações, indispensável nas festas juninas.
Fonte: Portal Correio
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