
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer duras críticas ao Brasil nesta quinta-feira (14/8), durante coletiva na Casa Branca. Ao comentar a relação comercial entre os dois países, o republicano classificou o Brasil como “um parceiro comercial horrível” e acusou o país de impor “tarifas enormes” contra produtos americanos.
“Eles também nos trataram mal como parceiros comerciais por muitos, muitos anos. Um dos piores, um dos piores países do mundo”, declarou.
Trump afirmou que o Brasil cobra tarifas muito superiores às aplicadas pelos Estados Unidos e que, antes, Washington praticamente não impunha taxas sobre os produtos brasileiros. Segundo ele, o país teria dificultado o comércio, motivo pelo qual passou a ser alvo de tarifas de 50% – o que, na sua avaliação, gerou insatisfação no Brasil, mas “era assim que funcionava”.
O líder norte-americano também fez nova defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem chamou de “homem honesto” e vítima de perseguição política.
“Quando eles pegam um presidente e o colocam na prisão ou estão tentando prendê-lo… Acho que o que fizeram é uma execução política. Ele ama o povo brasileiro e lutou muito por essas pessoas. Acho que isso é uma caça às bruxas e acho muito lamentável”, afirmou.
Não é a primeira vez que Trump se manifesta sobre o assunto. Em 15 de julho, ele associou publicamente a aplicação do tarifaço ao julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Dois dias depois, divulgou uma carta, com timbre da Casa Branca, em que pediu o fim imediato do processo contra o ex-presidente e acusou o sistema de Justiça brasileiro de ser “injusto”.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Bolsonaro liderou uma organização criminosa armada voltada a desacreditar o sistema eleitoral, incitar ataques a instituições democráticas e articular medidas de exceção. O ex-presidente nega as acusações.
As críticas de Trump ao Brasil também ganharam espaço no relatório anual de direitos humanos elaborado pelo Departamento de Estado americano, divulgado na última terça-feira (12/8). O documento, que abrange 196 países, afirma que a situação dos direitos humanos no Brasil “se deteriorou” e acusa o governo Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes de restringirem a liberdade de expressão e bloquearem perfis de apoiadores de Bolsonaro de forma “desproporcional”.
O texto também critica a detenção de centenas de envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, apontando que muitos permaneceram presos durante meses sem acusação formal.
Na manhã desta quinta-feira, um dia após o governo dos Estados Unidos anunciar sanções a servidores brasileiros envolvidos na criação do programa Mais Médicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com críticas ao bloqueio econômico imposto a Cuba.
As medidas foram justificadas pelo Departamento de Estado, sob gestão de Donald Trump, com a acusação de que os brasileiros teriam atuado em cumplicidade com o regime cubano.
Em discurso, Lula afirmou que a relação do Brasil com Cuba é baseada no respeito e condenou o embargo, que já dura 70 anos, afirmando não haver “nenhuma razão” para mantê-lo. O petista também disse que Trump “não é imperador” e deve “deixar os cubanos viverem em paz”, lembrando que os EUA “fizeram uma guerra e perderam”.
Fonte: Metrópoles
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