
O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), é alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura suposta ligação dele com uma facção criminosa durante o processo eleitoral de 2024. A informação foi confirmada pela própria Polícia Federal ao portal g1.
A investigação foi autorizada pelo juiz-relator Bruno Texeira de Paiva, do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), atendendo a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE-PB). O objetivo é apurar se o prefeito teria mantido relações com criminosos para interferir nas eleições municipais do ano passado.
O caso está sob segredo de Justiça, e até o momento a defesa de Cícero Lucena não se manifestou.
O despacho judicial, assinado em agosto, reconhece que ainda não há provas suficientes para uma denúncia formal, mas afirma que os indícios apresentados pelo MPF “ultrapassam o campo da mera suspeita”, justificando a abertura do inquérito.
“Os diálogos apresentados (pelo MPF), conquanto sugestivos, permanecem na esfera do indiciário, carecendo da consistência probatória que a denúncia exige para legitimar-se. No entanto, esses mesmos elementos não obstam (pelo contrário, autorizam) a necessidade de continuidade das investigações”, diz trecho do despacho.
Com a decisão, Cícero Lucena passa a ser formalmente investigado por crimes eleitorais e comuns, entre eles:
O pedido de investigação tem como base os resultados da Operação Território Livre, deflagrada em 2023, que visou combater o aliciamento violento de eleitores em João Pessoa.
Na ocasião, a primeira-dama Lauremília Lucena chegou a ser presa, acusada de envolvimento com uma organização criminosa que atuava para favorecer determinados candidatos nas urnas. Em setembro deste ano, Lauremília e outros oito investigados se tornaram réus por corrupção eleitoral no âmbito da mesma operação.
De acordo com as investigações, a facção Nova Okaida exercia controle sobre bairros como São José e Alto do Mateus, impondo restrições à livre manifestação política e ao voto dos moradores. O grupo usava violência e intimidação para cooptar eleitores e candidatos, e em troca, líderes e familiares recebiam cargos e benefícios na Prefeitura de João Pessoa.
Parte das investigações foi desmembrada pelo juiz Bruno Texeira, que remeteu o procedimento à primeira instância para apuração dos investigados sem foro privilegiado. Cícero Lucena, por ser prefeito, segue sendo investigado pelo TRE-PB.
Por Patos Online
Com informações do g1 PB
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