
A Justiça da Paraíba aumentou a pena do pediatra Fernando Paredes Cunha Lima, condenado por estupro de vulnerável. Em julgamento realizado nesta terça-feira (2), a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba rejeitou, por unanimidade, um recurso da defesa e elevou a condenação para 32 anos e 17 dias de prisão.
O recurso analisado pelos desembargadores questionava a sentença de primeira instância, que havia condenado o médico a 22 anos, 5 meses e 2 dias de prisão por crimes praticados contra crianças. A defesa alegava supostas nulidades no processo e pedia a absolvição do acusado, mas os argumentos não foram acolhidos pelo colegiado.
O relator do caso, desembargador Ricardo Vital, votou pela manutenção da condenação, sendo acompanhado pelos desembargadores Joás Filho e João Benedito.
Além de manter as condenações já existentes, os magistrados reconheceram a existência de provas suficientes para condenar o médico por mais um caso de estupro de vulnerável envolvendo outra vítima. Com isso, foi acrescentada uma nova pena de 9 anos, 7 meses e 15 dias ao total anteriormente fixado.
Segundo a defesa, um novo recurso deverá ser apresentado contra a decisão.
O processo julgado nesta semana refere-se à primeira ação penal movida contra o médico. Na sentença de primeira instância, proferida em julho de 2025, ele havia sido condenado por dois crimes e absolvido de outras duas acusações.
Fernando Cunha Lima também já recebeu outra condenação por estupro de vulnerável em março de 2026, quando foi sentenciado a 20 anos de prisão em um processo distinto.
O pediatra cumpre prisão domiciliar desde dezembro de 2025. A medida foi autorizada pela Justiça após a defesa apresentar laudos apontando problemas de saúde, entre eles doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência cardíaca, neurite periférica e tratamento contra câncer de próstata.
Antes disso, ele foi preso em Pernambuco, em março de 2025, após meses foragido. O médico havia se tornado réu em agosto de 2024, quando a Justiça aceitou a primeira denúncia apresentada contra ele.
As investigações apontam que Fernando Paredes Cunha Lima foi denunciado por abusos cometidos contra seis crianças que eram suas pacientes.
A primeira denúncia formal foi registrada em julho de 2024, após a mãe de uma criança relatar à Polícia Civil ter presenciado o médico tocando as partes íntimas da filha durante uma consulta. Após a divulgação do caso, outras vítimas procuraram as autoridades para relatar situações semelhantes, incluindo uma sobrinha do médico, que afirmou ter sido abusada ainda em 1991.
Com a decisão desta terça-feira, a pena referente ao primeiro processo passou para mais de 32 anos de prisão, enquanto o médico segue respondendo às demais acusações na Justiça.
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