
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (2), a proposta apresentada pelo governo dos Estados Unidos que prevê a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. Durante discurso, o petista também direcionou críticas a integrantes da família Bolsonaro, acusando-os de incentivar interferências externas em assuntos brasileiros.
Segundo Lula, declarações feitas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teriam estimulado medidas adotadas pelo governo norte-americano contra o Brasil. O presidente classificou a postura como uma tentativa de permitir interferência estrangeira em decisões internas do país.
A reação ocorre após a divulgação do relatório final do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos e recomenda a adoção de tarifas sobre produtos brasileiros.
No documento, o Pix aparece entre os principais pontos questionados pelos Estados Unidos. O relatório argumenta que o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central recebe vantagens regulatórias que poderiam dificultar a concorrência de empresas privadas estrangeiras que atuam no setor de pagamentos digitais.
Apesar das críticas, o próprio relatório reconhece que o Pix ampliou a inclusão financeira e reduziu custos para consumidores e empresas desde sua implantação.
Além dos serviços de pagamento eletrônico, o documento também faz observações sobre comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol, acordos tarifários e desmatamento ilegal.
A proposta integra uma investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos em 2025 com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O relatório será submetido a audiências públicas antes da decisão final.
A palavra final sobre a eventual adoção das tarifas caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apesar da proposta de sobretaxa, o relatório também apresenta uma extensa lista de produtos brasileiros que poderão permanecer isentos da cobrança adicional.
Entre os itens excluídos da medida estão café, chá, frutas, cereais, determinadas carnes, fertilizantes, medicamentos, produtos químicos, minerais, além de aeronaves e peças do setor aeronáutico produzidas no Brasil.
Enquanto as negociações continuam, os governos dos dois países seguem buscando uma solução para evitar o agravamento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Por Patos Online
Com informações do Metrópoles
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