
Entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos defenderam a ampliação das negociações entre os dois governos para evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A manifestação ocorre diante da proximidade da decisão do governo norte-americano sobre a investigação comercial conduzida com base na Seção 301.
Em carta conjunta divulgada na quinta-feira (9), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce solicitaram que Brasil e Estados Unidos busquem um acordo de curto prazo para encerrar de forma negociada o processo.
O documento foi encaminhado, no Brasil, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e ao Ministério das Relações Exteriores. Nos Estados Unidos, a carta foi enviada ao Escritório do Representante Comercial (USTR) e ao Departamento de Estado.
Segundo as entidades, uma solução negociada pode fortalecer a relação econômica entre os dois países, ampliar oportunidades comerciais e evitar prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores.
Entre as propostas apresentadas estão a ampliação do acesso a mercados para produtos industriais, investimentos em infraestrutura voltada à inteligência artificial e centros de dados, além do fortalecimento da cooperação regulatória em setores como indústria automotiva, farmacêutica, saúde e equipamentos médicos.
As entidades também defendem maior cooperação em minerais críticos, agilidade na análise de patentes no Brasil, reforço no combate à pirataria, manutenção da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) para tarifas sobre transmissões eletrônicas e a implementação integral do Protocolo Anticorrupção do ATEC.
Na avaliação do setor empresarial, um entendimento entre os governos poderá abrir espaço para discussões mais amplas envolvendo comércio eletrônico, segurança energética, inovação, descarbonização industrial, agricultura, transportes e fortalecimento das cadeias produtivas.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou a importância de uma solução antes da conclusão da investigação.
"Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e fortaleça a relação econômica bilateral", afirmou.
O posicionamento das entidades foi divulgado após o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, informar que a decisão sobre a investigação será anunciada "muito em breve".
O processo apura supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo norte-americano. Ao fim da investigação, o USTR recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso seja confirmada, a sobretaxa poderá entrar em vigor a partir de 15 de julho.
Nos bastidores, autoridades dos dois países reconhecem que as negociações ainda enfrentam dificuldades. Enquanto representantes brasileiros afirmam que os Estados Unidos não detalharam quais concessões esperam do Brasil, negociadores norte-americanos avaliam que ainda há distância entre as posições defendidas pelos dois governos.
Por Patos Online
Com informações do Metrópoles
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