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Política FOLGA!

Com Copa e São João, deputados emendam semana longe de Brasília

Após pausa, Câmara deve retomar atividades no fim de junho com pauta das dívidas rurais no radar do governo

21/06/2026 às 06h00 Atualizada em 21/06/2026 às 17h56
Por: Felipe Vilar Fonte: Metrópoles
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Foto: Bruno Spada/Câmara Dos Deputados
Foto: Bruno Spada/Câmara Dos Deputados

O plenário da Câmara dos Deputados não vai ter sessões nesta semana. Por conta das festas de São João e dos jogos da Copa do Mundo, os deputados devem ficar afastados dos trabalhos.

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Segundo líderes partidários ouvidos pelo Metrópoles, os parlamentares só devem retomar as atividades na semana que começa em 29 de junho.

No entanto, a pausa legislativa deixa em aberto a definição sobre pautas consideradas sensíveis pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre elas está o projeto que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para renegociar dívidas rurais, aprovado pelo Senado e enviado novamente à Câmara após mudanças no texto.

Nos bastidores, caberá ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidir se mantém o acordo com Palácio do Planalto para segurar propostas de alto impacto fiscal ou se pauta a matéria. A equipe econômica estima impacto de R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional em dez anos.

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Também está na pauta o Projeto de Lei (PL) da Misoginia, uma das propostas que podem ser analisadas na retomada dos trabalhos.

A retomada dos trabalhos também deve se dar sob pressão do calendário legislativo. Pelo funcionamento regular do Congresso, o recesso parlamentar de julho começa em 18 de julho, desde que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) tenha sido aprovada. A Câmara terá poucas semanas para decidir se avança com pautas sensíveis ou se empurra as votações para depois da pausa oficial.

Câmara vira freio a pautas-bomba

  • A pausa dá fôlego ao governo para tentar conter pautas de impacto fiscal antes da retomada das votações na Câmara;
  • O Planalto vê em Motta um canal de negociação mais aberto do que no Senado, onde a relação com Davi Alcolumbre azedou;
  • A proximidade das eleições aumenta o custo político de votar propostas bilionárias sem acordo com a equipe econômica;
  • A operação que teve Jaques Wagner como alvo elevou a tensão no Senado e dificultou a articulação do governo na Casa.

Alívio para o governo

Nos bastidores, a pausa foi recebida como um alívio temporário pelo governo. A avaliação de governistas é que a semana sem votações dá mais tempo para o Palácio do Planalto tentar conter o avanço de propostas com impacto bilionário nas contas públicas.

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O movimento se dá em um momento em que a relação do governo com a Câmara é considerada menos tensionada do que a interlocução com o Senado. Auxiliares de Lula avaliam que Motta ainda mantém canais abertos de negociação com o Planalto, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem adotado uma postura mais dura e imposto derrotas ao Executivo.

Além das pautas de impacto fiscal aprovadas pela Casa, o Planalto passou a monitorar os desdobramentos da operação da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A 9ª fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada na quinta-feira (18/6) e investiga suspeitas relacionadas ao caso Banco Master, de Daniel Vorcaro.

O episódio aumentou a sensibilidade política no Senado, justamente no momento em que o governo já tentava recompor a relação com Alcolumbre.

Com a aproximação das eleições a diferença de clima entre as duas Casas passou a pesar na estratégia do governo. A leitura é que a Câmara pode funcionar como uma espécie de freio a pautas que avançaram no Senado, desde que Motta sustente o acordo para segurar textos de alto impacto fiscal.

Acordo entre Motta e o governo

A retirada da urgência constitucional do projeto de lei que acaba com a escala de trabalho 6×1 também entrou nesse cálculo. A decisão do governo Lula fez parte de um acordo com Motta para segurar a análise de propostas de alto impacto fiscal.

A decisão foi publicada em despacho enviado ao Congresso.

Em abril, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei próprio para acabar com a escala 6×1. A proposta foi encaminhada com urgência constitucional, mecanismo que estabelece prazo de 45 dias para análise em cada uma das Casas Legislativas: Câmara e Senado.

Apesar da iniciativa do Planalto, Motta optou por priorizar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema, que já estava em análise na Casa. Nos bastidores, a avaliação era que avançar com a proposta de emenda à Constituição garantiria maior protagonismo político à Câmara em uma pauta de forte apelo popular.

PEC que prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada pelo plenário da Câmara em 27 de maio. Enquanto isso, o projeto de lei enviado pelo governo permaneceu sem votação.

O prazo de 45 dias da urgência constitucional expirou em 30 de maio, o que fez a proposta passar a trancar a pauta da Câmara. Na prática, nenhum outro projeto poderia ser votado até que o texto fosse apreciado.

No Senado, porém, a tramitação enfrenta resistência. Ainda na série de atritos com o governo, Alcolumbre não pretende acelerar a análise da PEC.

A estratégia inicial do Planalto era manter a urgência do projeto de lei justamente para pressionar o Senado a avançar com a proposta. No entanto, a aprovação de projetos de alto impacto fiscal na Casa levou o governo a rever o plano.

Fonte: Metrópoles

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