
O livro SÓS, mais recente obra do jornalista e poeta Misael Nóbrega, continua despertando a atenção de leitores e intelectuais paraibanos. Desta vez, as impressões vieram do historiador, romancista e teatrólogo patoense José Mota Victor, que publicou uma reflexão sobre a obra, ressaltando a densidade filosófica e a construção estética dos poemas minimalistas reunidos no livro.
No texto intitulado "A Visita Inesperada do Poeta", José Mota Victor percorre as páginas de SÓS e identifica uma poesia marcada pelo rigor da linguagem e pela economia das palavras. Para ele, a escrita de Misael remete à "carpintaria" poética de João Cabral de Melo Neto, não pela forma ou pelas rimas, mas pela capacidade de lapidar versos, eliminar excessos e alcançar a essência da expressão literária.
O crítico também enxerga ecos de Mario Quintana e Manoel de Barros, observando que a obra transita entre a reflexão conceitual e a delicadeza existencial. "A leitura do poema é um eterno enigma", afirma José Mota Victor, destacando que os textos convidam o leitor a sucessivas interpretações.
Entre os versos que mais chamaram sua atenção estão frases como "A penitência foram os dias vividos" e "Viver com lucidez é um desassossego", consideradas por ele profundas reflexões sobre a condição humana. Em outro momento, o historiador ressalta o poema "A lavadeira", cuja imagem da mulher lavando roupas à beira do riacho transforma-se em metáfora do perdão e da redenção: "À beira do riacho, de cócoras, lavava os meus pecados."
Ao longo da crítica, José Mota Victor estabelece ainda um diálogo entre a poesia de Misael Nóbrega e referências da literatura, da filosofia e da teologia, chegando a mencionar o pensamento de Joseph Ratzinger e a célebre frase atribuída ao artista que dizia: "Hoje vou me visitar, espero que esteja em casa." Para o historiador, Misael dispensa esse ritual: "Não precisa bater à porta, está sempre em casa para desabrochar poemas."
As observações de José Mota Victor reforçam a boa recepção que SÓS vem conquistando entre leitores, escritores e estudiosos da literatura paraibana. Com poemas breves, mas carregados de significado, o livro propõe reflexões sobre o tempo, a existência, a memória, o perdão e a condição humana, consolidando-se como uma das publicações literárias de destaque da produção contemporânea do sertão paraibano.
Lançado pela Editora Arribaçã, SÓS reúne poemas minimalistas que privilegiam a síntese sem abrir mão da profundidade, característica que vem sendo apontada pela crítica como uma das marcas mais expressivas da obra.
O próximo encontro entre o autor e os leitores acontece nesta sexta-feira, 17 de julho, às 19h, na Biblioteca Pública Municipal de Maturéia (PB), onde será realizado mais um lançamento de SÓS. O evento terá apresentação do sociólogo Nilton Dantas e será aberto ao público, reunindo amantes da literatura, da poesia e da cultura sertaneja.
Assessoria
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