
A juíza Conceição de Lourdes Marsicano de Brito Cordeiro, da 2ª Vara Regional das Garantias, converteu as prisões temporárias do delegado Braz Morroni, dos agentes da Polícia Civil, Everton Aires e Eduardo Jorge, em prisões preventivas. Os três são investigados em um esquema de desvio de drogas. A decisão é desta sexta-feira (31).
De acordo com as investigações, os suspeitos participavam de um esquema em que identificavam locais usados para armazenar drogas por traficantes, desviavam parte dos entorpecentes durante as operações da polícia e, posteriormente, vendiam o material de forma ilegal.
Na mesma decisão, outras quatro pessoas tiveram as prisões preventivas decretadas. Veja abaixo.
Em paralelo, a magistrada também estabeleceu que a prisão temporária em caráter domiciliar de Vanessa Dantas, investigada como suposta "tesoureira" do esquema no Sertão da Paraíba, fosse convertida em prisão preventiva, mas mantendo-a presa na própria residência.
Na semana passada, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) havia denunciado os três suspeitos por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. Anteriormente, a Polícia Civil havia indiciado os três no âmbito da Operação Perfidus.
O g1 entrou em contato com as defesas de Braz Morroni, Everton Aires, conhecido como "Bomba", e Eduardo Jorge, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa dos demais citados não foi localizada.
A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.
Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes.
O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa.
O principal apontado como operador do grupo criminoso é o investigador da Polícia Civil, Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba".
Conforme a decisão judicial que autorizou a operação e mostra a suposta participação do esquema, ele seria o elo entre policiais e traficantes, responsável por guardar drogas desviadas, negociar carregamentos de cocaína e skunk, organizar a contabilidade clandestina, orientar integrantes do grupo sobre lavagem de dinheiro e até atuar em esquemas paralelos de importação irregular de mercadorias e comercialização de anabolizantes.
O documento também menciona movimentações financeiras consideradas incompatíveis com sua renda e diversas transações com suspeitos ligados ao tráfico.
Também conforme a decisão, outro personagem do esquema é o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca".
O documento judicial afirma que ele participava diretamente das ações de subtração de drogas, monitorava carregamentos de facções, manipulava rastreadores instalados em veículos e armazenava entorpecentes em sua residência.
O documento destaca ainda movimentações financeiras milionárias, relações comerciais consideradas suspeitas e mecanismos de ocultação patrimonial por meio de empresas e terceiros.
Outro apontado pela investigação é João Wicttor Alves de Lima, conhecido como "Vitor", que a Justiça coloca como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas fornecidas pelos policiais, além de realizar transferências financeiras para integrantes do esquema.
Brendo Roberth Fernandes Sobral, o "Breno", seria subordinado de João Wicttor e atuaria na guarda, refino e distribuição dos entorpecentes. Já Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como "Galinha", é apontado como informante dos policiais e distribuidor de drogas, fornecendo informações sobre depósitos de facções rivais em troca de parte das cargas desviadas, além de participar da movimentação financeira do grupo por meio de empresas próprias.
Com atuação principalmente voltada para o Sertão da Paraíba, José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como "Júnior Lira", é descrito como líder da distribuição de grandes carregamentos de drogas na região etambém no Rio Grande do Norte, financiando remessas interestaduais e mantendo relações diretas com Everton, citado anteriormente.
A decisão também menciona Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como "Babau", integrante da facção criminosa Nova Okaida. Segundo a investigação, ele teria sido uma das vítimas do desvio de drogas praticado pelos policiais e foi quem divulgou imagens nas redes sociais que deram origem às apurações. Ele foi o único que não foi preso no cumprimento do mandado de prisão. Todos os outros citados anteriormente, foram presos.
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