
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (15/10), que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são “terroristas para a comunidade brasileira”, mas não se enquadram no tipo de terrorismo que os Estados Unidos pretendem caracterizar.
A declaração foi feita durante sabatina da TV Globo, ao criticar a decisão do governo de Donald Trump de classificar as duas facções como organizações terroristas estrangeiras.
“Temos consciência de que, aqui no Brasil, tanto o PCC quanto o Comando Vermelho são terroristas para a comunidade brasileira, para os bairros brasileiros e para as cidades, mas não são o tipo de terrorismo de Estado que os Estados Unidos querem caracterizar”, afirmou Lula.
O petista argumentou que Washington associa o terrorismo a ações como os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, e a tentativas de golpe de Estado. Segundo ele, as facções brasileiras têm como objetivo obter dinheiro por meio de atividades criminosas, e não praticar terrorismo de Estado.
“Quando os Estados Unidos falam em terrorismo, falam em terrorismo de Estado. Falam em terrorismo como o praticado por aqueles que atentaram contra as duas torres americanas ou por aqueles que querem dar um golpe de Estado. Não é o caso das facções do crime organizado no Brasil, que só querem dinheiro”, declarou.
Durante a entrevista, Lula afirmou que o governo brasileiro propôs aos Estados Unidos uma parceria para combater o crime organizado e o narcotráfico, com base na experiência acumulada pela Polícia Federal (PF). Segundo o presidente, a proposta foi entregue por escrito ao republicano.
Lula também citou a aprovação da Lei Antifacção, que aumenta as penas para integrantes de organizações criminosas, e defendeu a ampliação da atuação federal na segurança pública.
“A Constituição brasileira nunca permitiu que a União se metesse na segurança pública, na questão dos estados. Eu agora quero me meter. Por isso, mandamos a PEC”, afirmou, em referência à Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública.
A administração Trump anunciou em maio a classificação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A designação entrou em vigor em 5 de junho e permite a aplicação de medidas jurídicas e financeiras previstas na legislação norte-americana, incluindo restrições a pessoas e empresas que forneçam apoio material às organizações.
O governo Lula criticou a classificação dos EUA por considerar que ela pode afetar a soberania brasileira. A medida não altera automaticamente a legislação nacional.
Em setembro, Trump voltou a cobrar ações mais duras contra as facções, mas o Brasil contestou as críticas e destacou medidas já adotadas contra o crime organizado.
Fonte: Metrópoles
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