
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo. Isso acontece em meio a uma crise em um banco que afetou milhões de pessoas e gerou revoltas e a abertura de um processo de impeachment contra o chefe de Estado.
Segundo a imprensa paraguaia, o Congresso do país precisa aceitar a renúncia. Uma sessão sobre o assunto pode ser convocada, mas opositores pediram que a análise do impeachment seja concluída, a fim de evitar que o presidente tenha foro privilegiado.
Peña publicou um vídeo nas redes sociais informando a decisão de deixar o poder, destacando que este é um dos momentos "mais difíceis da minha vida".
"Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou.
"Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", adicionou.
O presidente paraguaio também pediu desculpas à população e destacou que seu "maior desejo" é que haja a devolução dos recursos aos clientes do banco e que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade.
"Hoje devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia é respeitada, que as instituições são preservadas e que o Paraguai está acima das nossas diferenças", comentou.
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
O Congresso do Paraguai chegou a iniciar uma sessão para discutir e votar o impeachment de Santiago Peña.
O partido dele havia anunciado, inclusive, que apoiava a remoção do presidente, também justificando que a medida poderia restaurar a ordem institucional no país.
Horacio Cartes, presidente do partido de Peña, o Colorado, publicou uma carta nas redes sociais com a declaração, destacando que a legenda não irá tolerar "o roubo de fundos públicos, privados e de pensões".
Fonte: CNN Brasil
Midterms Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara em derrota para o Governo Trump
POLÍTICA Eleições nos EUA: americanos vão às urnas nos 50 estados
TRAGÉDIA AÉREA Brasileira de 20 anos era copilota de jato que caiu na Flórida; 9 pessoas morreram Mín. 23° Máx. 37°