Vamos Combinar com os Russos: Resposta a um neo “comunista” conservador
Uma antiga resposta de Garrincha ao então treinador Vicente Feola da Seleção brasileira ainda hoje ilustra magistralmente situações em que um líder, ou pretenso líder, pretende antecipar o futuro segundo suas vontades e desejos. Desejos de caráter individual, inclusive. Que quando cotejado com os fatos nem de longe corresponde à realidade. Feola traçou um plano de jogo em que nossa seleção pintava e bordava com os defensores do time de futebol da então União Soviética. Garrincha do alto de tanta facilidade pintada por Feola, sapecou de lá: “ Seu Feola, o senhor combinou isso com os Russos?” No cenário eleitoral de Patos tem muita gente agindo como Feola. É o caso de se perguntar: combinaram com os eleitores? Assim como não há jogo ganho de véspera não há também eleição ganha de véspera. Ainda que esse seja o desejo de neo “comunistas” de contracheque, caso do sindicalista José Gonçalves que de tanto se alimentar na seiva do oficialismo perdeu havia muito tempo quaisquer capacidade de exercer um papel crítico no interior da sociedade. Ou seja, perdeu a melhor das qualidades do comunismo: o espírito crítico. Em matéria de comunismo sofre de uma espécie de déficit de letramento. Não foi além da primeira página do manifesto.
A análise publicado aqui no Patosonline tem pouco de análise e muito do desejo e das vontades individuais de José Gonçalves. Ele desconhece, por exemplo, a “fadiga de material” da atual gestão capitaneada pelo PMDB municipal e, em certa medida, também da coalisão DEM/PSDB. Foi essa fadiga de material (cansaço político) devido a um prolongado tempo no exercício no poder que derrubou Maranhão e a máquina pública do Estado e alçou Ricardo Coutinho ao governo do Estado quando meio mundo dava Maranhão como eleito. Ainda que a administração de Nabor possa ser bem avaliada, graças a enxurrada de programas sociais dos governos Lula/Dilma, não é de todo descartável que essa fadiga não permita que seu ou sua candidata não decole. Tanto Ivânio quanto Francisca são pesados demais para serem alçados antecipadamente à condição de favoritos. Tanto um quanto outro pode até ganhar a eleição. Mas não são favas contadas como diz o aprendiz de comunista, por sinal meu velho conhecido.
A eleição é um tabuleiro de xadrez que será ganha por quem melhor souber mexer com os peões, aqui traduzidos por eleitores. Neste cenário movimentar-se-ão muitos atores. O Governo Ricardo; o governo Nabor; o Governo Dilma/Lula e mesmo a herança de Dinaldo pai que transita bem numa faixa popularesca do eleitorado que tenta transferir para Dinaldo filho. A eleição pode pender para o PT de Lenildo Morais se este fechar uma aliança com o PSB de Bonifácio Rocha. Mesmo se o PT não atrair um nome de peso e respeito como Bonifácio ainda resta a possibilidade de encontrar um tom no discurso que tenha verossimilhança, que posso vir a ser acreditado como o discurso da mudança prá frente em contraposição à mudança pra trás, traduzida nas candidaturas de Ivânio ou Francisca e ou Dinaldinho.
Enfim, o cenário é complexo e aberto. O PMBD pode eleger seu candidato? Pode. Mas não estão descartadas a eleição de Lenildo do PT ou de Dinaldinho. Lenildo ou Dinaldinho, um pela esquerda e outro pela direita, terão a água do moinho de Ricardo correndo pro seu lado. Basta que um destes se mostre mais viável na reta final.
A eleição promete.
Nilton José Dantas Wanderley é filiado ao PT desde 1982.
É Bacharel em Ciências Sociais com Pós-Graduação Lato Sensu em Sociologia. Ambos pela UFPB.
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