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Esporotricose: um problema de sanidade animal e Saúde Pública

06/10/2021 às 19h00
Por: PATOS ONLINE Fonte: Mestrando em Ciência e Saúde Animal
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Figura 1. Esporotricose em gatos. A) Lesão cutânea ulcerada na face. B) Lesão cutânea ulcerada periungueal. Fonte: Cortesia da Médica Veterinária Tarciane Reis.
Figura 1. Esporotricose em gatos. A) Lesão cutânea ulcerada na face. B) Lesão cutânea ulcerada periungueal. Fonte: Cortesia da Médica Veterinária Tarciane Reis.

A esporotricose é uma doença infecciosa causada pelo fungo saprófito, que habita o solo e a matéria orgânica em decomposição, denominado Sporothrix schenckii. A infecção pode ocorrer em várias espécies animais, mas é no gato que a enfermidade assume maior importância, devido a frequência e habitual gravidade dos casos clínicos, além da possibilidade de transmissão ao ser humano. Desta forma, considerando a casuística da doença em gatos e os recentes casos em seres humanos, faz-se oportuno esclarecer alguns pontos sobre essa doença endêmica na região.

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Nos gatos, a esporotricose geralmente se estabelece por meio de feridas traumáticas contaminadas com o elemento fúngico. Arranhaduras e mordeduras são fatores importantes para transmissão da doença, devido ao habitual comportamento ferino e territorialista desses animais. Além disso, devido ao hábito fastidioso de limpeza, alguns gatos podem se autoinocular.

Três principais formas clínicas são descritas para a esporotricose felina: cutânea, cutânea linfática e disseminada; combinações dessas formas podem coexistir em um animal. As lesões geralmente caracterizam-se por nódulos ou úlceras, que se desenvolvem­ principalmente na região da cabeça, orelhas, membros e cauda. Dermatite e paniculite piogranulomatosas são o principal achado diagnóstico. Um fator marcante nas lesões dos felinos é a abundância de elementos fúngicos, que demonstra a grande propensão desses animais em transmitir a infecção.

Os seres humanos adquirem a infecção através do contato com meios contaminados ou animais infectados, os quais usualmente introduzem os esporos fúngicos através de lesões cutâneas, como arranhaduras e mordeduras. Por isso, a infecção cutânea é considerada a forma mais comum em seres humanos, sendo mais frequentemente afetada a pele das mãos ou dos braços. Contudo, as lesões traumáticas não são indispensáveis para que a infecção ocorra, o que faz dessa uma doença relativamente frequente em seres humanos. Vale salientar que a doença é tratável, por meio de antifúngicos comerciais que são ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. O tratamento costuma ser prolongado e o diagnóstico deve ser realizado preferencialmente no início dos sinais clínicos para evitar a incidência de complicações.

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O caso veiculado na impressa há alguns dias (https://www.patosonline.com/primeiro-caso-de-doenca-contagiosa-e-transmitida-por-animais-de-rua-e-registrada-em-patos/) definitivamente não é o primeiro na região, nem tampouco será o último. De fato, trata­-se da micose subcutânea mais comum em seres humanos em toda a América Latina. No Brasil, a esporotricose é uma doença zoonótica emergente inserida na lista de agravos de notificação compulsória. Pacientes humanos com a doença já foram relatados em 25 dos 26 estados brasileiros, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. A ocorrência de casos individuais e surtos da doença em seres humanos têm sido associada a fatores epidemiológicos ambientais e de sanidade animal, como o clima quente e úmido e a presença de animais errantes nas zonas urbanas.

Por fim, destacamos que a medida mais adequada para controlar essa zoonose consiste na conscientização dos tutores e da população para a guarda responsável dos animais. Nesse sentido, a atuação das autoridades públicas faz-se imprescindível na adoção de medidas de sanidade animal e Saúde Pública, como a castração, a restrição do acesso dos felinos à rua, o diagnóstico e tratamento de animais doentes, bem como a destinação correta de cadáveres de animais acometidos.

Patos, Paraíba, 06 de outubro de 2021.

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Assinam esta nota,

Erick Platiní Ferreira de Souto

Médico Veterinário

Mestre em Medicina Veterinária

Doutor em Ciência e Saúde Animal

André Lopes de Lima

Biomédico

Especialista em Hematologia Clínica

Mestrando em Ciência e Saúde Animal

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