
O ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) desistiu nesta segunda-feira, 23, da sua pré-candidatura à Presidência da República. O ex-gestor paulista iniciou seu pronunciamento à imprensa lembrando a trajetória política dele e de seu pai. Além de Doria, estavam presentes o presidente do PSDB, Bruno Araújo, o coordenador de campanha do postulante, Marco Vinholi, e a sua esposa, Bia Doria. “Para esta missão, coloquei meu nome à disposição do partido. Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou a escolha da cúpula do PSDB. Aceito esta realidade com a cabeça erguida. Sou um homem que respeita o bom senso, o diálogo e o equilíbrio”, afirmou Doria. “Seguirei sempre buscando o consenso, mesmo que ele seja contra a minha vontade pessoal”, acrescentou. “O PSDB saberá tomar a melhor decisão no seu posicionamento para as eleições deste ano. Me retiro da disputa com o coração ferido, mas com a alma leve”, anunciou o ex-governador.
Doria disse sair com a sensação “inequívoca” de dever cumprido e missão bem realizada com “boa gestão e sem corrupção”. “Saio com o sentimento de gratidão e a certeza de que tudo que fiz foi em benefício de um ideal coletivo e a favor dos paulistanos, paulistas e dos brasileiros. Saio como entrei na política: repleto de ideias, com a alma cheia de esperança e com o coração pulsante, confiante na força do povo brasileiro, que tem fé na vida, que tem fé em Deus”, apontou. Em seguida, pede desculpas a todos pelos erros. “Se me excedi, foi por vontade de acertar. Se exagerei, foi pela pressa em fazer com perfeição. Se acelerei, foi pela urgência que as ações públicas exigem”, justificou. O ex-governador também agradeceu pela “ousadia” e “coragem” da sua equipe. “Seguirei como observador sereno do meu País. Sempre à disposição de lutar a guerra para a qual eu for chamado. Na vida pública ou na vida privada”, finalizou Doria, aplaudido efusivamente pelos presentes.
O ex-gestor foi escolhido como pré-candidato do PSDB em 27 de novembro de 2021, durante as prévias partidárias. O paulista venceu com 53,99% dos votos, enquanto o na época governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite obteve 44,66% e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, 1,35%. Na última quarta-feira, 18, os presidentes do PSDB, MDB e Cidadania se reuniram para analisar os resultados das pesquisas quantitativas e qualitativas encomendadas pela terceira via checar a viabilidade eleitoral de Doria e da senadora Simone Tebet (MDB). Durante o exame dos dados, os caciques deliberaram que a parlamentar tem maior capacidade de angariar votos e vencer a polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Além de Doria não ter decolado nos levantamentos de intenção de voto e ter uma das maiores rejeições junto ao eleitorado, ficando atrás apenas de Bolsonaro, outros fatores pesaram para a resistência do PSDB à candidatura do paulista.
Um deles foi o fato do postulante não ter usado o tempo depois das prévias partidárias para se aproximar da cúpula tucana, responsável pelas negociações com outras legendas e por “vender” o nome do candidato nos Estados. Em seu reduto, onde foi eleito governador, Doria não conseguiu nem emplacar o seu sucessor. Rodrigo Garcia (PSDB) só tem 5% de intenções de voto como governador de São Paulo, sendo ultrapassado por Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB) e pelo ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiado por Bolsonaro. Antes de aceitar que poderia não ser a cabeça de chapa da terceira via, porém, alguns figurões do PSDB como Tasso Jereissati e José Aníbal tentaram trazer Leite novamente para a jogada como uma opção para o partido.
O gaúcho chegou até a iniciar sua pré-campanha com viagens pelo país, o que implodiu uma nova crise interna no partido, mas desistiu em nome da unidade do tucanato. Na época, João Doria ameaçou a desistir da sua postulação para continuar como governador de São Paulo, porém uma carta assinada por Bruno Araújo fez com que o paulista recuasse da decisão. Agora, os planos do PSDB devem ser focados em aumentar a sua bancada na Câmara dos Deputados e no Senado — os gastos de uma pré-candidatura ao Palácio do Planalto secaria os recursos financeiros do PSDB. Sem Doria, o partido pode investir nas campanhas publicitárias de candidatos a deputados, senadores e governadores.
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