
O Brasil figura atualmente um dos piores períodos de seca em mais da metade do país nos últimos 40 anos, segundo levantamento exclusivo do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), com queimadas e outras consequências climáticas. Na Paraíba, nos últimos 10 anos, entre 2013 e 2023, o acúmulo da área queimada apresentou um aumento superior a 26%.
De acordo com os últimos dados do MapBiomas, a área queimada acumulada na Paraíba em 2023 era de 516 mil hectares, localizados principalmente no Sertão do estado.
O ano com o maior número de queimadas, entre 1985 e 2023, foi o de 2003, com 69,5 mil ha de área queimada na Paraíba, seguido de 2004 e 2019. No ano de 2023, último registrado pelo MapBiomas, foram mais de 15 mil ha de área queimada na Paraíba
Apesar disso, das 27 unidades da federação, 16 estados e o Distrito Federal enfrentam a pior estiagem já vista no período de maio a agosto, desde os anos 1980. A Paraíba não está inserida nessa lista.
O Cemaden é ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI). De acordo com o órgão, a Paraíba tem 74 municípios em situação de seca, mas de forma fraca. Nenhum município enfrenta seca extrema ou severa. No entanto, a previsão para o mês de setembro é que esse número aumente para 179 e outros 12 municípios enfrentem uma seca moderada.
Em julho deste ano, o Núcleo de Dados da Rede Paraíba de Comunicação analisou os impactos climáticos enfrentados na Paraíba, mostrando que os impactos negativos da ação humana estão cada vez mais evidentes.
Na Paraíba, o bioma caatinga ocupa cerca de 90% do território, o que mostra a importância de conhecer e valorizar as diferentes características dessa vegetação. No Nordeste, a Paraíba e o Rio Grande do Norte foram os estados que mais apresentaram aumentos expressivos na área de vegetação suprimida, um crescimento que representa mais de 100%, segundo relatório referente a 2023.
As queimadas também influenciam nessa perda e, historicamente, tem transformado a caatinga, de um bioma florestal, para um bioma arbustivo e cada vez mais degradado.
Os dados são do MapBiomas, uma rede colaborativa formada por ONGs, universidades e startups de tecnologia, que conta com vários pesquisadores envolvidos.
O coordenador do MapBiomas Caatinga, Washington Rocha, reforça a preocupação.
Fonte: g1 PB
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