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Veja detalhes da trajetória de jovem do Sertão aprovada em 7 universidades dos EUA: 'dediquei todo o meu tempo a essa jornada'

Alice dos Santos aprendeu inglês sozinha e com o uso de materiais gratuitos. Ela se apaixonou por estudar tecnologia enquanto era aluna do IFPB.

18/05/2025 às 19h00 Atualizada em 19/05/2025 às 10h04
Por: Marcos Oliveira Fonte: g1 PB
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 Foto: Alice dos Santos / Arquivo pessoal
Foto: Alice dos Santos / Arquivo pessoal

Aos 20 anos, a paraibana Alice dos Santos Araújo Lourenço acumula diversas conquistas acadêmicas. Entre elas, o fato de ter sido aprovada em sete universidades dos Estados Unidos. No mês de agosto ela embarca rumo ao sonho de estudar em uma dessas instituições, com uma bolsa integral e o desejo de transformar a realidades de outras jovens, que assim como ela, apostam na educação para transformar vidas.

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As aprovações, mesmo que repetidas por um número expressivo de vezes, não são encaradas como parte da rotina.

“É aquele tipo de acontecimento que leva tempo para a ficha cair. Ainda não parece real. Fora os sentimentos de alegria e superação profundas, reconheço as barreiras quebradas que essa conquista representa para mim, minha família e meu estado”, refletiu.

A jovem nasceu e foi criada em Nova Olinda, cidade do Sertão da Paraíba, com pouco mais de 6 mil habitantes. Com a vida inteira no interior, ela conhece as dificuldades para ter acesso ao ensino tecnológico.

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“Por isso, quero que essa oportunidade inédita que recebi não seja apenas minha, quero que os frutos dela sejam colhidos por outros jovens paraibanos. Quero que a gente mostre cada vez mais para o nosso Brasil que a Paraíba desenvolve sim jovens talentos em tecnologia”, destacou.

O interesse por estudar no exterior surgiu a partir de dois fatores: o primeiro era a curiosidade por conhecer outros países e culturas. Já o segundo, a descoberta das oportunidades profissionais e acadêmicas disponíveis fora do Brasil.

“Quando percebi que existia uma possibilidade real de estudar fora e viver esse conjunto de experiências, dediquei todo o meu tempo a essa jornada”, reforçou.

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Alice durante viagem para a Índia — Foto: Alice dos Santos / Arquivo pessoal

Alice durante viagem para a Índia — Foto: Alice dos Santos / Arquivo pessoal

Etapas das candidaturas às universidades norte-americanas
O processo de seleção para as faculdades dos Estados Unidos foi desafiador, mas também uma oportunidade transformadora para Alice. A jornada, para a jovem, começou no ano de 2023, com o auxílio da Academia Latino-Americana de Liderança (LALA), que é um programa de colocação universitária.

O processo envolve diversas etapas, como a proficiência no inglês por conta própria, demonstrar impacto por meio de atividades extracurriculares, enviar cartas de recomendação escritas por professores, notas do ensino médio, documentação financeira, uma redação pessoal e redações suplementares.

No primeiro ano de candidaturas, ela foi aceita em quatro instituições. Porém, não conseguiu bolsas que custeassem toda a viagem e estudos. Já em 2024, foram mais três aprovações. Confira na lista abaixo:

Aprovações em 2023:

University of British Columbia
University of Wisconsin - Madison
University of Colorado at Boulder
Stetson University
Aprovações em 2024:

University of North Carolina at Chapel Hill
University of Wisconsin - Madison
University of Connecticut
A escolhida foi a UNC-Chapel Hill, localizada na Carolina do Norte. Nela, a jovem ganhou uma bolsa integral que cobrirá, pelos próximos quatro anos, gastos com os cursos da faculdade, alimentação, computador, viagens de avião e tudo o que for necessário. As aulas começam em agosto deste ano.

“A UNC-Chapel Hill ganhou meu coração por vários motivos, como a comunidade vibrante de Tar Heels, sua localização no centro mais importante de pesquisa, inovação, tecnologia e educação dos Estados Unidos. E o fato da universidade oferecer a combinação curricular ideal para as áreas que desejo seguir profissionalmente”, confessou.

Alemanha, Índia, Itália e Noruega: 'sempre volto para casa com ideias novas e criativas'
Antes mesmo das aprovações nas universidades norte-americanas, Alice viveu outras experiência fora do país de origem.

2024 – Alice participou do Venetian ESummer, com bolsa de 100%, na Itália. O programa é focado em sustentabilidade e tecnologia. Essa foi a primeira experiência dela em outro país e durou uma semana.

2025 – A estudante ganhou uma bolsa de 10 mil dólares, com a ajuda da The Flight School (Escola do Voo), para viajar o mundo. Desde de janeiro, ela conseguiu viajar para Bangalore, na Índia; Trebur e Kraitchal, na Alemanha; e Eidsvoll, na e Noruega.

Em todos esses países, a paraibana se voluntariou para participar de projetos de tecnologia, educação e cultura.

“Hoje, após já ter vivido em alguns países como a Índia, onde passei dois meses, percebo que essa conexão com o desconhecido é essencial para a formação de jovens líderes visionários e inovadores. Sempre volto para casa com ideias novas e criativas para resolver, de forma incisiva, os desafios da minha comunidade”, destacou.

Alice durante viagem à Índia — Foto: Alice dos Santos / Arquivo pessoal

Alice durante viagem à Índia — Foto: Alice dos Santos / Arquivo pessoal

Alice aprendeu outros idiomas com material gratuito: 'vem abrindo muitas portas'

Atualmente, além do português nativo, Alice fala inglês em nível avançado e espanhol em nível básico.

Mas o caminho até atingir esse nível em línguas estrangeiras não foi fácil e despertou receio na jovem. “Medo de não desenvolver o idioma a tempo de aplicar para as faculdades naquele ano (2023) e a falta de recursos que poderiam potencializar o meu aprendizado, como um professor particular, por exemplo”, confessou.

Para conseguir o objetivo, ela estudou com materiais, dicionários, aplicativos e projetos gratuitos.

Dessa forma, ela se tornou a primeira da família a aprender inglês por conta própria. Essa conquista é motivo de orgulho para ela.

“Ter desenrolado o inglês vem abrindo muitas portas para a minha jornada acadêmica e profissional, para a minha família e com certeza para as gerações futuras de jovens que eu quero impactar através do ensino tecnológico”, declarou.

Pais apoiaram jovem a encarar desafios acadêmicos: 'minha família me inspira a seguir em frente'
Em toda a caminhada de desafios acadêmicos, Alice recebeu o apoio da família.

“Apesar das condições financeiras limitadas e falta de conhecimento em relação ao processo seletivo internacional, eles me apoiaram entendendo o meu momento de foco e dedicação, sempre acreditando no meu potencial de fazer acontecer”, recordou a jovem sobre a preparação para disputar uma vaga nos Estados Unidos.

Os pais de Alice trabalham de forma informal. A mãe dela atua como empregada doméstica. Já o avô, por quem também foi criada, é carpinteiro.

“Minha família me inspira a seguir em frente de forma humilde, sabendo que o meu valor está na minha educação e caráter”, destacou.

Estudar tecnologia é uma paixão: 'converter o meu conhecimento em soluções'
Estudar tecnologia é uma das paixões da vida de Alice, que começou quando ela era aluna do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). Na instituição, a estudante participou de pesquisas científicas, projetos de extensão e aprendeu sobre programação.

“O que me fez realmente apaixonada por tecnologia foi a possibilidade palpável de converter o meu conhecimento em soluções para problemas reais da minha comunidade. Pra mim, não tem felicidade comparável aos momentos em que seus programas funcionam, você testa, faz os ajustes necessários e finalmente vê aquela aplicação melhorando algum aspecto da rotina da sua comunidade”.

Para o futuro, após se formar, Alice quer trabalhar com inovação em educação tecnológica e empreendedorismo social. E para isso, ela sonha grande, assim como as conquistas já alcançadas.

Alice quer se tornar a CEO da edtech - empresa que usa tecnologia para desenvolver e oferecer soluções no segmento da educação, buscando melhorar a experiência de ensino e aprendizagem - mais inovadora e acessível da América Latina. Além disso, ela também busca ser a líder do maior ecossistema de apoio a meninas de baixa renda em regiões interioranas e periféricas da América Latina.

Fonte: g1 PB

 

 

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